O Sagrado Feminino – A Natividade no Cotidiano Líquido Por Hiran de Melo Amado Irmão, Amada Irmã, em um tempo de conexões instantâneas e vínculos frágeis, o 25 de dezembro continua sendo um marco simbólico. Para muitas culturas, é o nascimento da luz, do sol, da vida. Para os cristãos, é a celebração do Deus Amor que se fez humano, vulnerável, próximo. Hoje, em uma sociedade líquida, onde tudo parece transitório e efêmero, o amor também se tornou palavra desgastada. Ele aparece em slogans publicitários, em músicas de consumo rápido, em relacionamentos que se dissolvem com a mesma velocidade com que se iniciam. Fala-se de amor em contextos contraditórios: “matou por amor”, “suicidou-se por amor”, “vive do amor de alguém”. O amor é usado como justificativa para violência, dependência e exploração. Mas o amor verdadeiro – aquele que Cristo encarnou – não é consumo, não é posse, não é espetáculo. É acolhida da inteireza do outro e de si mesmo. Amar hoje significa resistir à l...
Postagens
Mostrando postagens de dezembro, 2025
- Gerar link
- X
- Outros aplicativos
O Convite - Assuma a Caneta da Sua História Por Hiran de Melo Muitas vezes, entramos na Escola ou em novos ciclos de vida acreditando que existe um trilho já posto, um "destino" que precisamos descobrir para sermos felizes. Mas a verdade contida nas reflexões de Thalita Farias (*) é muito mais libertadora: não há trilho, há apenas o caminhar. A Transformação pelo Estudo e pela Escolha Estudar não é apenas acumular dados; é o exercício de "rasgar o véu". Quando você se dedica ao conhecimento e à observação de si mesmo, você percebe que o contexto ao seu redor não é uma sentença, mas um terreno de possibilidades. A transformação real começa quando você aceita a soberania do acaso : se nada está escrito nas estrelas, você é livre para mudar de rota, de opinião e de identidade sempre que a circunstância exigir. A Iluminação do "Não" A verdadeira iluminação raramente vem de um "sim" imediato a tudo. Ela nasce da coragem de olhar para o ...
- Gerar link
- X
- Outros aplicativos
Isso não me pertence mais Por Thalita Farias Hernesto do Rêgo, 22/12/2025. Isso existiu porque o contexto permitiu não porque era destino. A circunstância mudou, e com ela, o sentido se encerra. Não levo isso comigo adiante. O que não cabe no meu amanhã não precisa ocupar o meu agora. Eu honro o que foi cogitado. Mas não o alimento. Não o revisito. Ele cumpriu seu papel: me mostrou o que eu NÃO quero mais. Eu retiro de você o lugar de prioridade, o lugar de consideração, o lugar de intimidade. Você passa a ocupar o lugar que suas ações construíram, não o que minhas virtudes sustentaram. Minha inteireza não é desperdício. Mas ela não é distribuída sem reciprocidade. Breves considerações Por Hiran de Melo 1. O Fim do Destino e a Soberania do Acaso O poema começa com uma "rasgada de véu" fundamental: " Isso existiu porque o contexto permitiu / não porque era destino. ...
- Gerar link
- X
- Outros aplicativos
Vamos caminhar? Por Josivan Campos Brasil – Cavaleiro Noaquita Não é apenas um convite. É um chamado silencioso, feito por aquele que já percorreu o caminho e conhece seus sinais. Nenhum homem atravessa a senda iniciática sozinho, ainda que acredite caminhar em linha reta. Sustentado pela confiança do Aprendiz — a fé que antecede o saber — inicia-se a grande marcha do Ocidente ao Oriente. O passo é dado sem pressa, pois o tempo da jornada não obedece ao relógio dos homens. Há retas que testam a perseverança e curvas que ensinam a prudência. Pedras surgem para fortalecer os pés; perigos, para despertar a atenção. Cada estação oferece sua prova. O frio ensina a resistência, o calor revela os limites, a tempestade purifica. O medo, quando atravessado, transforma-se em compreensão. E quando a lição é acolhida, a brisa se manifesta como sinal de que o caminho foi honrado. Ao final de um longo trecho, o Aprendiz volta-se ao Mestre e pergunta: — Chegamos ao lugar prometido? ...
- Gerar link
- X
- Outros aplicativos
Sendo agora ou seria depois? Poeta Hiran de Melo O andarilho depois de muito caminhar Contempla o céu estrelado e sorrir às vistas Não um sorriso de vitória, de conquistas Apenas o olhar desperto, fixou para repousar Há o andarilho que viaja sem destino A meta é o caminhar que comporta Cada passo, o meio, é o que importa O barulho do lugar é música, é um hino Há o andarilho que mantem o olhar no horizonte Sem desvios, o caminho estar para ser superado O que o move é a meta. o destino almejado A música do caminho é abismo, não é uma fonte O que eu sou, ou o que serei, é dito na escolha, no furo De como irei furar, avançar, se olhar fixo na meta Ou se disperso, fazendo curvas, desprezando a reta Se encontro o contentamento aqui e agora ou no futuro Um Convite para Caminhar: O que eu quis te dizer com "Sendo agora ou seria depois?" Ao escrever este poema, eu não queria apenas contar a históri...
- Gerar link
- X
- Outros aplicativos
Ballet Por Thalita Farias Hernesto do Rego O ballet começa onde a palavra falha. Num silêncio tenso, o corpo aprende a falar com dor elegante. Pés sangram para que o gesto flutue. Costelas se fecham para que o voo exista. Nada nele é leve — tudo parece. O espelho não devolve quem dança, apenas quem suporta. Ali, a beleza é um acordo cruel entre disciplina e desejo. Cada passo é um pedido de permanência, cada giro, uma ameaça de queda. E ainda assim, insiste-se. Porque o ballet não chama — ele exige. É arte feita de ossos, fé sustentada por músculos cansados, uma oração repetida até o corpo ceder. E quando termina, não há aplauso que cure: o ballet fica. Como vício. Como herança. Como amor que dói, mas nunca se abandona. Breves considerações sobre o Ballet da Thalita. Por Hiran de Melo O poema sobre o ballet nos coloca diante de uma experiência que ultrapas...
- Gerar link
- X
- Outros aplicativos
Oscilação Oscilação Você ainda acredita no amor, quando sabe que tudo que oscila morre no final? Eu sim. Ainda acredito. Mesmo sabendo que um dia o ritmo cessa, que a curva se desfaz, que o pulso silencia. Mas veja: o oscilador não morre porque errou — ele morre porque viveu. Porque respondeu a um impulso. Porque teve energia, forma, ritmo. Porque se moveu. Se não houvesse amor, não haveria sequer oscilação. Tudo seria estático: sem impulso, sem retorno, sem poesia. Na física, quando não queremos que a oscilação morra, o que fazemos? Reabastecemos. Introduzimos uma força periódica, alimentamos o sistema com intenção. Chamamos isso de oscilador forçado em regime permanente. E eu gosto de pensar que o amor é assim. Ele morre se for deixado à própria sorte. Mas se o alimentarmos — com presença, com cuidado, com vontade — ele encontra um novo equilíbrio, uma nova frequência, uma nova vida. O problema ...
- Gerar link
- X
- Outros aplicativos
Na brisa Eu flutuo, relaxo, descanso Ela me trás teu cheiro, teus risos Tuas poesias que ficavam a recitar Aos últimos raios que costumávamos aproveitar. Recordo-me de nosso lar E de nossas reuniões ao crepúsculo E a brisa a espalhar por todo o ar O cheiro da hortelã, dos bolinhos e das rosas Com muitas cores a contemplar. Na brisa Eu perco-me, desespero-me, enlouqueço Ela me trás teus sussurros, teus gritos Tuas mágoas e desequilíbrios que ficavas a desabafar Apenas escuto a tua doce voz, a voz que vem a me assombrar a voz que rasga os meus sonhos, e não me deixa respirar E nunca vem me visitar, chega apenas para me lembrar que é o responsável por me isolar. THALITA FARIAS HERNESTO DO RÊGO Simples palavras a respeito da imensidão que se enxerga a partir da janela poética aberta por Thalita. Por Hiran de Melo A poetiza Thalita não costuma nomear seus poemas. A poesia que se inicia com a expressão na brisa, també...