Sendo
agora ou seria depois?
Poeta
Hiran de Melo
O andarilho depois de muito caminhar
Contempla o céu estrelado e sorrir às vistas
Não um sorriso de vitória, de conquistas
Apenas o olhar desperto, fixou para repousar
Há o andarilho que viaja sem destino
A meta é o caminhar que comporta
Cada passo, o meio, é o que importa
O barulho do lugar é música, é um hino
Há o andarilho que mantem o olhar no horizonte
Sem desvios, o caminho estar para ser superado
O que o move é a meta. o destino almejado
A música do caminho é abismo, não é uma fonte
O que eu sou, ou o que serei, é dito na escolha, no
furo
De como irei furar, avançar, se olhar fixo na meta
Ou se disperso, fazendo curvas, desprezando a reta
Se encontro o contentamento aqui e agora ou no futuro
Um Convite para Caminhar: O que eu quis te dizer com "Sendo agora
ou seria depois?"
Ao
escrever este poema, eu não queria apenas contar a história de alguém andando
por aí. O que eu buscava era entender como a gente caminha na vida. Para
mim, o andarilho não é só quem viaja de um lugar para outro, mas quem decide
como quer aproveitar o seu tempo.
Nas
primeiras estrofes, apresento aquele andarilho que descobriu como o presente
é sagrado. Sabe aquele sorriso leve de quem não ganhou um troféu, nem chegou ao
topo de uma montanha, mas está apenas feliz por estar ali? É o sorriso de quem
"acordou" para a vida. Quis que você sentisse que, para esse
caminhante, o barulho do mundo não incomoda; vira música, vira um hino. É o que
hoje chamamos de Mindfulness (aquela atenção plena no agora), mas que na
verdade é a arte de estar verdadeiramente vivo.
Mas
também trouxe o outro lado: o andarilho que só consegue olhar para o horizonte.
Ele representa muito do que vivemos hoje: a pressa, a obsessão pela meta, o
querer chegar logo. Para ele, o caminho é só um obstáculo chato que precisa ser
superado. Só que, ao focar apenas no amanhã, ele perde a "fonte" de
alegria e o caminho vira um abismo vazio. A vida acaba passando sem ele
perceber.
Construí
o poema com rimas e estrofes que lembram o ritmo dos nossos passos.
Queria que, ao ler, você sentisse o balanço do corpo na estrada, entre o que a
gente pisa e o que a gente pensa.
E
tem uma palavra especial no poema: o "furo". Para mim, nós não
somos algo pronto que vamos encontrar lá no final da estrada. Nós nos tornamos
quem somos nas escolhas que fazemos, no jeito que decidimos "furar" a
rotina, nas curvas que fazemos quando todos esperam que a gente siga uma linha
reta.
Às
vezes lembro do poeta Fernando Pessoa, que dizia que nossa alma é do tamanho do
que vemos. Mas eu te proponho algo a mais: nossa alma é do tamanho do que a
gente escolhe viver na prática. Enquanto Pessoa ficava muito no mundo dos
pensamentos, o meu andarilho te convida para colocar os pés no chão da estrada.
É a poeira do caminho que nos molda.
No
fim, o título — Sendo agora ou seria depois? — é um presente e uma
pergunta para você. Eu não tenho as respostas, porque a caminhada é sua. O que
eu queria te mostrar é que a felicidade não é um ponto marcado no GPS, mas a
coragem de olhar para o lado agora mesmo e descobrir que a música da sua vida
já começou.
Vamos caminhar?
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