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  O Frescobol e a Ética da Colaboração Quando o jogo deixa de ser apenas entre dois Por Hiran de Melo Há esportes que se vencem derrotando o adversário. Há outros em que a vitória consiste em superar a si mesmo. E há o frescobol, uma rara invenção humana cuja beleza repousa justamente no fato de não haver inimigos. Sempre admirei o frescobol. Não é um esporte contemplativo, daqueles que nos prendem a uma arquibancada. É um espetáculo em movimento. Caminhando pela praia, gosto de observar as duplas em perfeita sintonia, como se duas pessoas tentassem prolongar, por alguns instantes, o voo de uma pequena esfera sobre o mar. São apenas duas raquetes, uma bola e duas pessoas. Contudo, a simplicidade do jogo esconde uma profunda lição sobre a existência. O objetivo não é derrotar quem está à sua frente. Ao contrário: cada jogador precisa oferecer ao outro as melhores condições para que ele devolva a bola. O sucesso de um depende inteiramente da habilidade do outro. Talvez ...
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  Quando a Consciência se Cala Por Hiran de Melo A reflexão que segue dialoga com o pensamento de Rizzardo da Camino (*) sobre a imoralidade, sem se limitar aos contornos dos costumes ou das normas. Sob o olhar da ética contemporânea, propõe um deslocamento essencial: da vigilância sobre os comportamentos para a responsabilidade diante do outro e da própria consciência. Afinal, mais importante do que perguntar o que é moralmente permitido talvez seja compreender quem nos tornamos a cada escolha que fazemos. Poucas palavras despertam tanto desconforto quanto "imoralidade". Talvez porque, ao longo da história, ela tenha servido tanto para proteger a dignidade humana quanto para justificar perseguições em nome dos costumes de uma época. Aquilo que ontem parecia ofensivo pode hoje ser compreendido como expressão legítima da liberdade; aquilo que ontem parecia aceitável pode revelar-se, sob um novo olhar, profundamente desumano. A moral muda. A consciência amadurece. Ess...
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A riqueza que não encontra o outro Por Hiran de Melo Toda riqueza possui uma origem. Antes de tornar-se moeda, patrimônio ou herança, ela nasce de uma determinada maneira de olhar o mundo. Não existe fortuna construída apenas com números. Por trás de cada grande acumulação existe uma filosofia silenciosa, uma compreensão sobre o trabalho, a confiança, a comunidade e o próprio sentido da vida. Talvez seja por isso que as sociedades não sejam divididas apenas por ideologias políticas. A polarização que hoje ocupa as manchetes é apenas a superfície de uma fratura muito mais antiga. Ela atravessa séculos e repousa sobre uma pergunta quase invisível: a riqueza existe para proteger quem a possui ou para fortalecer a sociedade que tornou sua existência possível ? A democracia aceita o conflito. Ela sabe que, durante o tempo das eleições, as diferenças precisam aparecer. É natural que ideias se enfrentem, que projetos disputem espaço e que paixões transbordem. O problema começa quando a...
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A Força que Não Precisa Gritar Por Hiran de Melo O artigo "Autêntica Força Interior" (*) apresenta uma valiosa reflexão sobre virtudes como disciplina, fraternidade, justiça e humildade. As considerações que seguem procuram ampliar esse horizonte, deslocando o foco do dever para a experiência da transformação. Afinal, a verdadeira força não nasce da simples observância de princípios, mas da lenta construção da consciência, forjada no encontro cotidiano entre nossas luzes e nossas sombras. Mais do que ensinar como agir, trata-se de compreender como o ser humano, pouco a pouco, torna-se aquilo que está chamado a ser. Vivemos numa época fascinada pela aparência da força. Confundimos intensidade com profundidade, autoridade com verdade, influência com poder. As vozes mais altas parecem ocupar mais espaço que os silêncios fecundos, como se a grandeza pudesse ser medida pelo alcance do eco e não pela serenidade da presença. Entretanto, toda força que necessita ser exibida ...
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As Perguntas que Também São Nossas Por Hiran de Melo Há perguntas que exigem conhecimento. Outras exigem inteligência. Mas existem aquelas que desarmam qualquer erudição e atravessam diretamente a consciência. São perguntas que não procuram uma resposta pronta; procuram um ser humano disposto a responder com a própria vida. Foi isso que um menino de seis anos fez ao dirigir suas palavras ao Papa Leão XIV. Na simplicidade da infância, ele fez aquilo que os filósofos, os teólogos e os poetas tentam fazer há séculos: retirar as camadas de complexidade que escondem o essencial. Talvez o mais importante não seja saber como o Papa responderá. Talvez a questão decisiva seja outra: como nós responderíamos? Você gosta de futebol? À primeira vista, a pergunta parece irrelevante. Mas ela revela algo profundo: antes de conhecer o líder espiritual, a criança deseja conhecer a pessoa. Vivemos um tempo em que transformamos pessoas em cargos, funções e títulos. Esquecemos que, antes do mé...
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Entre a Transformação e a Saturação O futuro da Maçonaria no Grande Oriente da Paraíba Por Hiran de Melo Toda instituição chega ao momento em que precisa responder a uma pergunta que nenhuma tradição consegue evitar: estamos preservando a essência ou apenas repetindo as formas? A história ensina que não é o tempo que envelhece as instituições. O que as torna antigas é a incapacidade de dialogar com o presente. A árvore permanece viva porque renova continuamente suas folhas, enquanto conserva intactas suas raízes. Quando deixa de produzir novos brotos, inicia silenciosamente o caminho da própria extinção. Talvez seja exatamente este o momento que vive o Grande Oriente da Paraíba. Não se trata de uma crise exclusivamente maçônica. Rotary, Lions e tantas outras organizações filantrópicas experimentam o mesmo fenômeno: seus membros envelhecem enquanto a juventude parece caminhar em outra direção. O problema, portanto, não está apenas na Maçonaria; está na profunda transformação...