Religião e Existencialismo O corpo da mulher: da propriedade patriarcal à conquista da autonomia Entre as antigas leis, as tradições religiosas e a luta contemporânea pelo direito de ser dona de si. Por Hiran de Melo Há uma pergunta que atravessa os séculos, resiste às mudanças das leis, sobrevive às transformações das religiões e continua a desafiar a consciência humana: a quem pertence o corpo de uma mulher? Imagine uma porta. Não uma porta qualquer, mas aquela que dá para dentro de uma pessoa, o lugar onde ela sente, ama, pensa, escolhe. Durante milênios, a chave dessa porta esteve em muitas mãos: a do pai, a do marido, a do sacerdote, a do legislador, a do costume. Quase nunca esteve na mão de quem vivia atrás dela. A pergunta parece desnecessária em nosso tempo. Afinal, reconhecemos, ao menos no plano dos princípios, que nenhuma pessoa deveria ser proprietária de outra. O corpo é inseparável da existência, e decidir sobre ele constitui uma dimensão fundame...