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  A Política na Polis   O QUE A MAÇONARIA PODE FAZER PELO APRENDIZ? Entre a riqueza que se conquista e o homem que se transforma Por Hiran de Melo Um amigo e Mestre lançou uma provocação que merece mais do que uma resposta pronta: o que a Maçonaria pode fazer pelo Aprendiz? Como pode contribuir para que ele enriqueça? A primeira reação talvez seja recorrer ao princípio tradicional de que não devemos perguntar o que a Maçonaria pode fazer por nós, mas o que podemos fazer por ela. É uma resposta legítima. Mas será suficiente? Ou estaremos evitando uma questão que nos obriga a olhar para a realidade de quem chega ao nosso Templo? O Aprendiz não deixa sua vida do lado de fora quando atravessa a porta do Templo. Traz consigo sonhos, dificuldades financeiras, inquietações familiares e a esperança de encontrar algo que o ajude a viver melhor. Traz também suas contradições, suas ambições e o desejo de tornar-se alguém maior do que acredita ser. Por isso, não podemos enxerg...
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  A Política na Polis A MEDIDA QUE CONVÉM Quando a ideologia vira conveniência, o princípio deixa de medir a nós mesmos e passa a medir só os outros. Por Hiran de Melo Todo obreiro conhece a régua de vinte e quatro polegadas, símbolo da disciplina e do uso consciente do tempo. Ela nos ensina que o dia tem limites e que a qualidade da obra depende da maneira como distribuímos nossas horas. Mas há uma medida mais difícil de aprender: aquela que usamos para julgar a nós mesmos e aos outros. Somos, muitas vezes, indulgentes com nossas falhas e rigorosos com as alheias. O que em nós encontra justificativa, no outro se transforma em condenação. A régua permanece a mesma. O que muda é a consciência de quem a segura. E, quando alteramos a medida conforme a conveniência, já não estamos praticando a justiça, mas protegendo nossos próprios interesses sob a aparência da retidão. Na política, esse disfarce tem nomes bonitos: estratégia, pragmatismo, defesa dos interesses nacionais. ...
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   A Política na Polis A Régua que Muda de Tamanho Quando a convicção vira conveniência, o princípio deixa de medir a nós mesmos e passa a medir só os outros. Por Hiran de Melo Todo obreiro conhece a régua de vinte e quatro polegadas. Ela mede o trabalho. Divide o dia. Lembra que o tempo é curto e que a obra pede disciplina. Mas uma régua só serve se tiver o mesmo tamanho para todos. Se encurta quando mede a mim e se alonga quando mede o outro, deixa de ser instrumento. Vira disfarce. Esse disfarce é antigo e aparece em qualquer lado, em qualquer grupo, em qualquer um de nós. Tem nomes bonitos: estratégia, bom senso, defesa dos nossos interesses. Mas quando a medida muda sempre a favor de quem mede, merece outro nome. Conveniência. Vamos examiná-la como se examina uma pedra bruta: sem raiva, mas sem fingir que ela já é lisa. A pátria que só vale para alguns Imagine alguém que defende, com paixão, que nenhum país deve ser dobrado pela vontade de outro. Que a...
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  Religião e Existencialismo   A Eternidade e o Instante O presente é o lugar onde o tempo toca o eterno. Por Hiran de Melo Há um rio que corre diante de quem se detém. A água que passou já se foi. A que virá ainda não chegou. A única que a mão pode tocar é esta, que escorre agora entre os dedos. Ninguém precisa ser ensinado a isso diante de um rio. E, no entanto, quase ninguém o aprende diante da própria vida. Existe uma estratégia para afastar o ser humano de Deus que não exige pecado algum. Não pede escândalo, nem grandes quedas. Pede apenas que a pessoa saia de um lugar. Foi o que Lewis imaginou ao dar voz a um velho tentador que escreve ao sobrinho aprendiz: o mais eficaz nem sempre é empurrar o homem para o mal. Basta tirá-lo do agora. Lido do avesso, o conselho do tentador se transforma em mapa. Ele revela, sem querer, onde Deus nos espera. Fomos feitos para a eternidade, mas vivemos no tempo. E só há um ponto onde as duas margens se tocam. O agora. ...
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  Religião e Existencialismo VOZ QUE PROFETIZA DENTRO DE NÓS Entre o futuro que imaginamos e a consciência que nos desperta Por Hiran de Melo Duas jovens bateram à minha porta. Traziam um livro nas mãos e uma pergunta nos lábios. O livro era O Livro de Mórmon . A pergunta, aparentemente simples, ficou comigo depois que elas partiram: você acredita em profetas? Recebi o livro com gratidão. A pergunta, porém, não se acomodou tão facilmente. Há questões que ultrapassam a soleira da porta e encontram morada na consciência. Não pedem uma resposta apressada, mas um tempo de silêncio, como se precisássemos aprender a escutar aquilo que ainda não sabemos dizer. Afinal, o que é um profeta? Alguém capaz de enxergar o futuro por trás das cortinas do tempo? Uma pessoa escolhida por Deus para transmitir aos homens uma verdade que não lhe pertence? Ou alguém que, atento aos movimentos da existência, percebe no presente as sementes do que ainda está por acontecer? Talvez a dificulda...