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  A Política na Pólis A Tolerância e o Autoconhecimento no Contexto Maçônico Por Hiran de Melo Na reflexão filosófica e na tradição maçônica, a expressão “seja tolerante” transcende a mera cortesia social ou o simples suporte passivo ao outro. Ela se conecta de forma direta e profunda à superação da ignorância e ao constante exercício do autoconhecimento. A tolerância, sob essa ótica, não é a aceitação cega ou a conivência com o erro, mas o resultado natural do desenvolvimento intelectual, moral e espiritual do indivíduo. 1. A Ignorância como Antítese da Tolerância Etimologicamente e filosoficamente, o ignorante é aquele que desconhece, que não possui a chave do conhecimento ou que se recusa a buscá-lo. Quando se ignora algo — seja uma ideia, uma cultura, uma perspectiva ou a própria natureza humana —, a reação instintiva e imatura costuma ser o medo, a rejeição ou a intolerância. Aquele que busca o conhecimento ativamente deixa de lado a postura de ignorar o mundo à sua ...
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 A Política na Pólis A Pedra que se Recusa a Ser Lapidada Sobre tolerância, ignorância e o longo caminho até o outro Por Hiran de Melo Existe uma pedra que resiste ao cinzel. Não porque seja mais dura que as outras — todas as pedras brutas resistem, no início —, mas porque ainda não sabe que existe algo dentro dela esperando para ser revelado. Enquanto não sabe, defende-se. Ataca o que a toca. Chama de inimigo o instrumento que só queria libertá-la da própria bruteza. Talvez seja essa a imagem mais honesta da intolerância: não um vício moral isolado, mas o gesto instintivo de uma pedra que ainda não se conheceu. A Ignorância como Antítese da Tolerância Etimologicamente, o ignorante não é apenas quem erra. É quem se recusa a olhar. Diante do que desconhece — uma ideia, uma cultura, um rosto diferente do seu —, a reação mais antiga do homem não é a curiosidade. É o medo. Fecha-se. Julga primeiro, para não precisar entender depois. Mas há outro caminho. Quem busca o ...
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Fraternidade, Universalidade e a Superação dos Paradigmas Anacrônicos Quando a porta ainda tem gume, ninguém atravessa inteiro Por Hiran de Melo Há ideias que envelhecem sem perceber que envelheceram. Continuam sendo repetidas com a solenidade dos antigos juramentos, protegidas pelo respeito às tradições, como se o tempo, por si só, fosse capaz de lhes garantir legitimidade. Entretanto, a história ensina outra coisa: nem tudo o que atravessa os séculos permanece digno de atravessar consciências . Acreditamos — ou talvez apenas desejemos acreditar — que uma instituição edificada sobre os pilares da Liberdade, da Igualdade e da Fraternidade já teria aprendido a reconhecer a dignidade humana antes de qualquer diferença acidental. Mas nem toda porta aberta conduz à liberdade. Existem portas que recebem o visitante com gestos de acolhimento enquanto, silenciosamente, continuam exigindo que ele deixe parte de si do lado de fora. São portas que não negam explicitamente a entr...
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A Morada de Deus na Terra Da tenda que anda ao templo que se ergue, e do templo que se ergue à consciência que se constrói Por Hiran de Melo Existe uma pergunta que o deserto faz a quem o atravessa: onde mora aquele que não se pode ver? Não há resposta de pedra para essa pergunta. Há, primeiro, uma resposta de pano. A tenda que anda Depois do Sinai, depois dos mandamentos gravados em tábuas que nenhuma mão humana havia talhado, Moisés recebeu uma ordem estranha: erguer uma casa. Mas não uma casa fixa — uma casa que pudesse ser desmontada ao amanhecer e remontada ao entardecer, uma casa com estacas em vez de fundação, cortinas em vez de paredes. Chamaram-na de tenda da congregação. Era ouro por dentro e pele de animal por fora. Era o lugar onde o povo, ainda sem território, sem cidade, sem nome fixo entre as nações, podia dizer: aqui, esta noite, Deus acampa conosco. Talvez seja preciso repetir: Deus acampava. Não morava. Acampava. Um Deus que segue o povo em vez de esp...
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A Fábula da Perseguição   Resposta a Francisco Carneiro Júnior Por Hiran de Melo Existe uma armadilha retórica tão antiga quanto a política: quando um homem perde no tribunal, muitas vezes ganha um mito. E o mito, ao contrário do fato, não precisa de prova. Precisa apenas de adjetivos. O Sr. Francisco Carneiro Júnior escreveu um artigo cheio deles. Regime. Aniquilar. Perseguição. Delírio tecnocrático. Palavras fortes, ditas com convicção — mas nenhuma delas substitui o que falta ao texto: um único fato concreto que sustente a tese de que existe, no Brasil, uma "elite" organizada para destruir Jair Bolsonaro. O que houve, e o que não houve O que houve foi isto: o Sr. Jair Bolsonaro foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República por fatos apurados em investigação. Respondeu a um processo. Teve advogados. Teve prazos. Teve recursos. Foi julgado por um tribunal previsto na Constituição, com ministros nomeados segundo regras conhecidas há décadas. Foi condenado. ...
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O Espelho Multifacetado A engenharia da guerra cultural e o ressentimento político no Brasil Por Hiran de Melo Toda sociedade produz os monstros de que necessita para não encarar seus próprios abismos. Quando uma comunidade deixa de compreender as causas profundas de seu sofrimento, ela passa a procurar culpados em vez de respostas. Nesse instante, a política deixa de ser o espaço do diálogo e se transforma em um teatro moral onde cada indivíduo recebe um papel previamente escrito: o herói, o traidor, o patriota, o inimigo. O bolsonarismo não surgiu apenas como um fenômeno eleitoral nem como um episódio de radicalização ideológica. Ele representa uma sofisticada tecnologia de produção de sentido. Sua força não reside simplesmente nas ideias que propaga, mas na capacidade de organizar medos, ressentimentos e desejos dispersos em uma narrativa capaz de oferecer identidade a quem já não consegue encontrar um lugar estável no mundo. Vivemos uma época em que o ser humano experim...