As Perguntas que Também São Nossas Por Hiran de Melo Há perguntas que exigem conhecimento. Outras exigem inteligência. Mas existem aquelas que desarmam qualquer erudição e atravessam diretamente a consciência. São perguntas que não procuram uma resposta pronta; procuram um ser humano disposto a responder com a própria vida. Foi isso que um menino de seis anos fez ao dirigir suas palavras ao Papa Leão XIV. Na simplicidade da infância, ele fez aquilo que os filósofos, os teólogos e os poetas tentam fazer há séculos: retirar as camadas de complexidade que escondem o essencial. Talvez o mais importante não seja saber como o Papa responderá. Talvez a questão decisiva seja outra: como nós responderíamos? Você gosta de futebol? À primeira vista, a pergunta parece irrelevante. Mas ela revela algo profundo: antes de conhecer o líder espiritual, a criança deseja conhecer a pessoa. Vivemos um tempo em que transformamos pessoas em cargos, funções e títulos. Esquecemos que, antes do mé...
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Entre a Transformação e a Saturação O futuro da Maçonaria no Grande Oriente da Paraíba Por Hiran de Melo Toda instituição chega ao momento em que precisa responder a uma pergunta que nenhuma tradição consegue evitar: estamos preservando a essência ou apenas repetindo as formas? A história ensina que não é o tempo que envelhece as instituições. O que as torna antigas é a incapacidade de dialogar com o presente. A árvore permanece viva porque renova continuamente suas folhas, enquanto conserva intactas suas raízes. Quando deixa de produzir novos brotos, inicia silenciosamente o caminho da própria extinção. Talvez seja exatamente este o momento que vive o Grande Oriente da Paraíba. Não se trata de uma crise exclusivamente maçônica. Rotary, Lions e tantas outras organizações filantrópicas experimentam o mesmo fenômeno: seus membros envelhecem enquanto a juventude parece caminhar em outra direção. O problema, portanto, não está apenas na Maçonaria; está na profunda transformação...
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Manifesto aos Mestres Instalados do Grande Oriente da Paraíba Pelo fortalecimento das bases, pela valorização do ser humano e pela fidelidade aos princípios maçônicos A história demonstra que nenhuma instituição permanece viva apenas pela força de suas tradições. Os rituais preservam a memória, mas é a capacidade de renovar o sentido de sua existência que assegura a continuidade de uma Obediência. Quando uma instituição perde de vista sua finalidade, corre o risco de transformar seus símbolos em mera repetição e sua liturgia em simples formalidade. A Maçonaria nasceu para aperfeiçoar o ser humano e, por meio dele, contribuir para o aperfeiçoamento da sociedade. Toda reflexão sobre o futuro do Grande Oriente da Paraíba deve partir dessa verdade essencial. I – A universalidade dos princípios e a inclusão do ser humano Liberdade, Igualdade e Fraternidade não são palavras ornamentais inscritas em nossos templos. São compromissos éticos que devem orientar todas as nossas decisões....
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O Horizonte que o Brasil Esqueceu de Contemplar Por Hiran de Melo Existe uma espécie de cegueira coletiva que atravessa a história brasileira. Durante décadas, fomos ensinados a olhar para uma única direção. O desenvolvimento estava no Sul. O progresso estava no Sudeste. O futuro parecia morar apenas entre arranha-céus, centros financeiros e grandes polos industriais. Enquanto isso, o Nordeste era frequentemente retratado como a terra da seca, da migração, da carência e das dificuldades. Mas a história possui um hábito curioso: ela costuma surpreender aqueles que acreditam conhecê-la completamente. Talvez estejamos vivendo exatamente um desses momentos. O Nordeste brasileiro, por muito tempo tratado como periferia econômica do país, começa a revelar algo que sempre esteve ali, mas que poucos conseguiram enxergar. Não se trata apenas de crescimento. Trata-se de potencial estratégico. Trata-se de geografia. Trata-se de futuro. E talvez o mais interessante seja per...
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As Tentações que Nunca Saíram do Deserto Por Hiran de Melo Muitos acreditam que as tentações de Jesus pertencem ao passado, confinadas às areias do deserto da Judeia. No entanto, talvez o grande equívoco seja imaginar que o deserto ficou para trás. O deserto continua existindo. Apenas mudou de forma. Hoje ele pode ser encontrado nas universidades, nas empresas, nas instituições religiosas, nas fraternidades iniciáticas e, sobretudo, nas redes sociais. Mudaram os cenários, mas as tentações permanecem as mesmas. A primeira delas é a tentação do pão. Não se trata apenas da fome física, mas da busca pela satisfação imediata. É a sedução dos atalhos. É a promessa de alcançar sem percorrer o caminho. Surge quando diplomas são tratados como mercadorias, quando títulos substituem o conhecimento, quando a espiritualidade é reduzida a fórmulas rápidas para eliminar o sofrimento e quando a cultura digital oferece doses instantâneas de validação através de curtidas, seguidores ...