Quando a Consciência se Cala Por Hiran de Melo A reflexão que segue dialoga com o pensamento de Rizzardo da Camino (*) sobre a imoralidade, sem se limitar aos contornos dos costumes ou das normas. Sob o olhar da ética contemporânea, propõe um deslocamento essencial: da vigilância sobre os comportamentos para a responsabilidade diante do outro e da própria consciência. Afinal, mais importante do que perguntar o que é moralmente permitido talvez seja compreender quem nos tornamos a cada escolha que fazemos. Poucas palavras despertam tanto desconforto quanto "imoralidade". Talvez porque, ao longo da história, ela tenha servido tanto para proteger a dignidade humana quanto para justificar perseguições em nome dos costumes de uma época. Aquilo que ontem parecia ofensivo pode hoje ser compreendido como expressão legítima da liberdade; aquilo que ontem parecia aceitável pode revelar-se, sob um novo olhar, profundamente desumano. A moral muda. A consciência amadurece. Ess...
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A riqueza que não encontra o outro Por Hiran de Melo Toda riqueza possui uma origem. Antes de tornar-se moeda, patrimônio ou herança, ela nasce de uma determinada maneira de olhar o mundo. Não existe fortuna construída apenas com números. Por trás de cada grande acumulação existe uma filosofia silenciosa, uma compreensão sobre o trabalho, a confiança, a comunidade e o próprio sentido da vida. Talvez seja por isso que as sociedades não sejam divididas apenas por ideologias políticas. A polarização que hoje ocupa as manchetes é apenas a superfície de uma fratura muito mais antiga. Ela atravessa séculos e repousa sobre uma pergunta quase invisível: a riqueza existe para proteger quem a possui ou para fortalecer a sociedade que tornou sua existência possível ? A democracia aceita o conflito. Ela sabe que, durante o tempo das eleições, as diferenças precisam aparecer. É natural que ideias se enfrentem, que projetos disputem espaço e que paixões transbordem. O problema começa quando a...
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A Força que Não Precisa Gritar Por Hiran de Melo O artigo "Autêntica Força Interior" (*) apresenta uma valiosa reflexão sobre virtudes como disciplina, fraternidade, justiça e humildade. As considerações que seguem procuram ampliar esse horizonte, deslocando o foco do dever para a experiência da transformação. Afinal, a verdadeira força não nasce da simples observância de princípios, mas da lenta construção da consciência, forjada no encontro cotidiano entre nossas luzes e nossas sombras. Mais do que ensinar como agir, trata-se de compreender como o ser humano, pouco a pouco, torna-se aquilo que está chamado a ser. Vivemos numa época fascinada pela aparência da força. Confundimos intensidade com profundidade, autoridade com verdade, influência com poder. As vozes mais altas parecem ocupar mais espaço que os silêncios fecundos, como se a grandeza pudesse ser medida pelo alcance do eco e não pela serenidade da presença. Entretanto, toda força que necessita ser exibida ...
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As Perguntas que Também São Nossas Por Hiran de Melo Há perguntas que exigem conhecimento. Outras exigem inteligência. Mas existem aquelas que desarmam qualquer erudição e atravessam diretamente a consciência. São perguntas que não procuram uma resposta pronta; procuram um ser humano disposto a responder com a própria vida. Foi isso que um menino de seis anos fez ao dirigir suas palavras ao Papa Leão XIV. Na simplicidade da infância, ele fez aquilo que os filósofos, os teólogos e os poetas tentam fazer há séculos: retirar as camadas de complexidade que escondem o essencial. Talvez o mais importante não seja saber como o Papa responderá. Talvez a questão decisiva seja outra: como nós responderíamos? Você gosta de futebol? À primeira vista, a pergunta parece irrelevante. Mas ela revela algo profundo: antes de conhecer o líder espiritual, a criança deseja conhecer a pessoa. Vivemos um tempo em que transformamos pessoas em cargos, funções e títulos. Esquecemos que, antes do mé...
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Entre a Transformação e a Saturação O futuro da Maçonaria no Grande Oriente da Paraíba Por Hiran de Melo Toda instituição chega ao momento em que precisa responder a uma pergunta que nenhuma tradição consegue evitar: estamos preservando a essência ou apenas repetindo as formas? A história ensina que não é o tempo que envelhece as instituições. O que as torna antigas é a incapacidade de dialogar com o presente. A árvore permanece viva porque renova continuamente suas folhas, enquanto conserva intactas suas raízes. Quando deixa de produzir novos brotos, inicia silenciosamente o caminho da própria extinção. Talvez seja exatamente este o momento que vive o Grande Oriente da Paraíba. Não se trata de uma crise exclusivamente maçônica. Rotary, Lions e tantas outras organizações filantrópicas experimentam o mesmo fenômeno: seus membros envelhecem enquanto a juventude parece caminhar em outra direção. O problema, portanto, não está apenas na Maçonaria; está na profunda transformação...
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Manifesto aos Mestres Instalados do Grande Oriente da Paraíba Pelo fortalecimento das bases, pela valorização do ser humano e pela fidelidade aos princípios maçônicos A história demonstra que nenhuma instituição permanece viva apenas pela força de suas tradições. Os rituais preservam a memória, mas é a capacidade de renovar o sentido de sua existência que assegura a continuidade de uma Obediência. Quando uma instituição perde de vista sua finalidade, corre o risco de transformar seus símbolos em mera repetição e sua liturgia em simples formalidade. A Maçonaria nasceu para aperfeiçoar o ser humano e, por meio dele, contribuir para o aperfeiçoamento da sociedade. Toda reflexão sobre o futuro do Grande Oriente da Paraíba deve partir dessa verdade essencial. I – A universalidade dos princípios e a inclusão do ser humano Liberdade, Igualdade e Fraternidade não são palavras ornamentais inscritas em nossos templos. São compromissos éticos que devem orientar todas as nossas decisões....