As Tentações que Nunca Saíram do Deserto Por Hiran de Melo Muitos acreditam que as tentações de Jesus pertencem ao passado, confinadas às areias do deserto da Judeia. No entanto, talvez o grande equívoco seja imaginar que o deserto ficou para trás. O deserto continua existindo. Apenas mudou de forma. Hoje ele pode ser encontrado nas universidades, nas empresas, nas instituições religiosas, nas fraternidades iniciáticas e, sobretudo, nas redes sociais. Mudaram os cenários, mas as tentações permanecem as mesmas. A primeira delas é a tentação do pão. Não se trata apenas da fome física, mas da busca pela satisfação imediata. É a sedução dos atalhos. É a promessa de alcançar sem percorrer o caminho. Surge quando diplomas são tratados como mercadorias, quando títulos substituem o conhecimento, quando a espiritualidade é reduzida a fórmulas rápidas para eliminar o sofrimento e quando a cultura digital oferece doses instantâneas de validação através de curtidas, seguidores ...
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Dois Judeus que escandalizaram o Seu Tempo Jesus Nazareno e Baruch Espinosa: convergências entre a espiritualidade e a liberdade Por Hiran de Melo A história possui uma curiosa tendência de expulsar aqueles que chegam cedo demais. Os homens que ampliam os horizontes da consciência raramente são recebidos com aplausos. Geralmente são recebidos com suspeita. Com acusações. Com condenações. Às vezes com cruzes. Outras vezes com excomunhões. Entre esses homens encontram-se dois judeus separados por mais de mil e seiscentos anos. Dois filhos da mesma tradição. Dois amantes da verdade. Dois escândalos para seus contemporâneos. Jesus Nazareno. Baruch Espinosa. Cada um em seu tempo confrontou a forma dominante de viver a religião. Jesus entrou em conflito com o judaísmo templário de sua época. Espinosa entrou em conflito com o judaísmo rabínico do século XVII. Ambos pagaram um preço elevado. Mas ambos deixaram uma herança que continua viva. Jesus...
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Democracia e Fascismo no Brasil de Hoje Por Hiran de Melo “ A questão central não é quem governa. É para quem se governa. Não é quem possui o poder. É como esse poder é distribuído .” Existe uma pergunta que ronda o Brasil como um espectro que ninguém consegue expulsar completamente: Estamos vivendo uma democracia ou apenas habitando a aparência dela? A resposta não é simples. As democracias modernas aprenderam a aperfeiçoar uma arte sofisticada: a capacidade de preservar os rituais da liberdade enquanto esvaziam silenciosamente seu conteúdo. As eleições continuam acontecendo. Os partidos continuam existindo. Os discursos continuam sendo pronunciados. As bandeiras continuam tremulando. Mas, por trás da paisagem institucional, algo inquietante cresce como uma sombra que avança ao entardecer. O fascismo. Não necessariamente o fascismo clássico das marchas militares, dos uniformes ou dos ditadores que ocupam os palácios. Mas um fascismo mais sutil. ...