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A Política na Pólis Entre o Esquadro e o Poder Quando a Maçonaria se torna campo de disputas Por Hiran de Melo Existe uma Maçonaria que aprendemos a reconhecer pelos símbolos. Há o esquadro, o compasso, o malho, o cinzel, a pedra bruta, a luz. Há também as palavras que repetimos há séculos: liberdade, igualdade, fraternidade. E existe outra Maçonaria. Uma que não aparece nos símbolos, mas nas relações entre os homens. Uma Maçonaria feita de eleições, cargos, disputas, alianças, prestígio, reconhecimento, silêncios, aproximações e afastamentos. É nessa Maçonaria menos visível que os ideais encontram a realidade. E é justamente aí que começa a pergunta que talvez seja mais difícil de fazer: o que acontece quando uma organização criada em nome da fraternidade passa a ser também um lugar de disputa pelo poder? Não se trata de acusar a Maçonaria de ser aquilo que seus princípios condenam. Trata-se de reconhecer que nenhuma instituição humana está fora das contradiç...
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A Política na Pólis A Loja como Templo, não como Praça Por Hiran de Melo Existe um lugar onde as vozes se calam para que a Voz apareça. Talvez seja este o segredo mais simples — e mais esquecido — do que somos: nem toda reunião é praça, e nem todo silêncio é ausência. A praça é o lugar da disputa. Ali, cada um defende sua bandeira, e vencer é convencer o outro a se calar. O templo é outra coisa. Ali, ninguém precisa vencer, porque ninguém veio para discutir — veio para construir. Talvez confundamos as duas coisas com mais frequência do que gostaríamos de admitir. Trazemos a praça para dentro do templo, achando que defendemos uma verdade, quando apenas emprestamos ao Ir ∴ ao lado o barulho que já cansa lá fora. Não se trata de calar a consciência de ninguém. Consciência livre não é a que grita mais alto — é a que sabe, sozinha, o que pensa, sem precisar que a Loja inteira pense igual. O silêncio pedido aqui não é mordaça. É espaço. É o vão entre as colunas onde cabe cada Irmã...
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   A Política na Pólis No Vazio de uma Visão de Futuro para o País Quando a fogueira do conflito ilumina a praça, mas apaga o caminho Por Hiran de Melo “A multidão em silhueta ao redor da fogueira alta e a estrutura da casa — só o esqueleto e as linhas do projeto, ainda incompleta. O calor de um lado, o traço frio e inacabado do outro”. Existe uma praça onde um povo se reúne para construir uma casa. Alguém traz tijolos. Alguém traz madeira. Alguém traz cal. Mas ninguém, até agora, trouxe a planta. E então, em vez de desenhar juntos os cômodos onde essa gente pretende viver, os que ali estão se dividem em times. Discutem quem tem o direito de segurar o martelo. Gritam sobre quem ameaça derrubar o que ainda nem foi erguido. Acendem fogueiras — bonitas, ruidosas, que atraem multidão — e chamam isso de construção. A fogueira ilumina a praça. Mas nenhuma fogueira, por maior que seja, desenha uma planta. O conflito como anestesia Talvez o conflito permanente não seja...
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  A Política na Pólis O Templo Não Tem Sexo Sobre arquitetos, alicerces e o direito de cada um lavrar a própria pedra Por Hiran de Melo Efésios 5 21 Sujeitando-vos uns aos outros no temor de Deus. ²² Vós, mulheres, sujeitai-vos a vossos maridos, como ao Senhor;   Existe uma imagem que se repete em toda casa, em todo discurso, em toda tradição que insiste em explicar o humano por metáforas de construção: de um lado, o arquiteto — que sonha, que desenha, que sobe. Do outro, o alicerce — que sustenta, que não se move, que fica embaixo para que os outros possam subir. E alguém, cedo ou tarde, vai perguntar: qual dos dois é mais importante? A pergunta já nasce errada. Porque um templo que só tem alicerce nunca abriga ninguém — e um templo que só tem arquiteto nunca fica de pé. A submissão que vira sustentação Há quem leia Paulo e escute ali uma hierarquia disfarçada de elogio: você é a base, ele é quem constrói. Parece generoso. Talvez até seja, na intenção ...
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  A Política na Pólis A Tolerância e o Autoconhecimento no Contexto Maçônico Por Hiran de Melo Na reflexão filosófica e na tradição maçônica, a expressão “seja tolerante” transcende a mera cortesia social ou o simples suporte passivo ao outro. Ela se conecta de forma direta e profunda à superação da ignorância e ao constante exercício do autoconhecimento. A tolerância, sob essa ótica, não é a aceitação cega ou a conivência com o erro, mas o resultado natural do desenvolvimento intelectual, moral e espiritual do indivíduo. 1. A Ignorância como Antítese da Tolerância Etimologicamente e filosoficamente, o ignorante é aquele que desconhece, que não possui a chave do conhecimento ou que se recusa a buscá-lo. Quando se ignora algo — seja uma ideia, uma cultura, uma perspectiva ou a própria natureza humana —, a reação instintiva e imatura costuma ser o medo, a rejeição ou a intolerância. Aquele que busca o conhecimento ativamente deixa de lado a postura de ignorar o mundo à sua ...
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 A Política na Pólis A Pedra que se Recusa a Ser Lapidada Sobre tolerância, ignorância e o longo caminho até o outro Por Hiran de Melo Existe uma pedra que resiste ao cinzel. Não porque seja mais dura que as outras — todas as pedras brutas resistem, no início —, mas porque ainda não sabe que existe algo dentro dela esperando para ser revelado. Enquanto não sabe, defende-se. Ataca o que a toca. Chama de inimigo o instrumento que só queria libertá-la da própria bruteza. Talvez seja essa a imagem mais honesta da intolerância: não um vício moral isolado, mas o gesto instintivo de uma pedra que ainda não se conheceu. A Ignorância como Antítese da Tolerância Etimologicamente, o ignorante não é apenas quem erra. É quem se recusa a olhar. Diante do que desconhece — uma ideia, uma cultura, um rosto diferente do seu —, a reação mais antiga do homem não é a curiosidade. É o medo. Fecha-se. Julga primeiro, para não precisar entender depois. Mas há outro caminho. Quem busca o ...