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  Religião e Existencialismo   VOZ QUE PROFETIZA DENTRO DE NÓS Entre o futuro que imaginamos e a consciência que nos desperta Por Hiran de Melo Duas jovens bateram à minha porta. Traziam um livro nas mãos e uma pergunta nos lábios. O livro era O Livro de Mórmon . A pergunta, aparentemente simples, ficou comigo depois que elas partiram: você acredita em profetas? Recebi o livro com gratidão. A pergunta, porém, não se acomodou tão facilmente. Há questões que ultrapassam a soleira da porta e encontram morada na consciência. Não pedem uma resposta apressada, mas um tempo de silêncio, como se precisássemos aprender a escutar aquilo que ainda não sabemos dizer. Afinal, o que é um profeta? Alguém capaz de enxergar o futuro por trás das cortinas do tempo? Uma pessoa escolhida por Deus para transmitir aos homens uma verdade que não lhe pertence? Ou alguém que, atento aos movimentos da existência, percebe no presente as sementes do que ainda está por acontecer? Talvez a ...
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  A Política na Polis Os Padrinhos da Rua e o Sangue da Terra Por Hiran de Melo Na memória das cidades, alguns nomes permanecem nos livros de história; outros sobrevivem no chão das ruas, nas calçadas e na lembrança daqueles que aprenderam a caminhar com dignidade. Falar do 2 de Julho sem recordar Seu Miro, o sapateiro da rua, seria contar a história da Bahia esquecendo aqueles que ajudaram a colocá-la de pé. Meu pai tinha a pele clara e os olhos da cor do céu pela manhã. Mas a sabedoria dos homens não se mede pela aparência. Quando chegou o momento de escolher quem me acompanharia como padrinho e madrinha no batismo da Igreja Católica Apostólica Romana, ele não procurou os casarões da ladeira nem os sobrenomes respeitados da cidade. Olhou para a simplicidade de uma bancada de trabalho, onde couro, graxa e suor se transformavam em sustento e dignidade. Escolheu Seu Miro e Dona Zefinha, mãe de Santa. Na pia batismal, nasceu mais do que um compromisso religioso. Firmou-se u...
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A Política na Polis   A VITRINE DOS ILUDIDOS Meritocracia, mentira organizada e o esquecimento da própria realidade. Por Hiran de Melo Existe uma cena que se repete em milhares de casas, todo fim de mês. O contracheque sobre a mesa. Você o lê com o cuidado de quem sabe o peso de cada número. Desconto aqui. Imposto ali. O que sobra mal alcança a semana seguinte. E, no entanto, à noite, diante da tela, você defende com ardor o direito de quem nunca precisou de um contracheque para existir. Talvez seja essa a contradição mais dolorosa do nosso tempo: quem depende do salário aplaude ideias que enfraquecem o próprio salário. Quem precisa de proteção aprende a enxergá-la como sinal de fracasso. E passa a olhar a riqueza alheia como quem olha uma vitrine, certo de que o vidro um dia vai se abrir só para ele. Não há mal em sonhar. O mal é olhar tanto para a vitrine que esquecemos do vidro. E esquecemos que, deste lado, não estamos sozinhos. Dizem que cada um ocupa o lugar q...