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  A Política na Polis Não cagues no prato em que comeste Uma pequena fábula sobre gratidão e poder Hiran de Melo Certa manhã, o velho Barão de Monte Zepa caminhava com seu filho Milan pelas muralhas do castelo. Lá embaixo, os camponeses trabalhavam sob o sol: colhiam o trigo, cuidavam do gado, cortavam a lenha. Milan observava tudo com desprezo. — São lentos e ingratos — disse. — Se dependesse de mim, pagariam mais impostos e aprenderiam pelo castigo quem manda nestas terras. O barão nada respondeu. Conduziu o filho ao salão, onde a mesa estava farta de pão, queijo, carne e frutas. Serviu-lhe o melhor assado e esperou que comesse. Quando Milan terminou, empurrou o prato com indiferença. Então o velho segurou-lhe o braço: — Meu filho, nunca cagues no prato em que comeste . Milan franziu a testa. — Que ensinamento é esse? O barão apontou para a mesa. — O trigo deste pão foi plantado por aquelas mãos que desprezas. O gado que alimentou tua mesa foi cuidado ...
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    A Política na Polis O Castelo e a Mesa O que a fábula do velho barão ensina às instituições de direitos Por Hiran de Melo Do alto das muralhas, o trabalho dos outros parece pequeno. Os camponeses viram figuras lentas. A colheita, um detalhe da paisagem. O suor, uma cor distante no campo. Foi dali que Milan, filho do velho barão de Monte Zepa, olhou o mundo e o julgou: lentos, ingratos, merecedores de castigo. Existe algo que a altura faz com o olhar. Ela não engana pela mentira. Engana pela distância. E talvez toda relação de poder comece assim: não com um ato de crueldade, mas com um esquecimento. O esquecimento de quem plantou o que está sobre a mesa. O prato e a lição O barão não respondeu ao filho com um discurso. Fez algo mais sábio: levou-o ao salão, serviu-lhe o melhor assado e esperou que comesse. Só depois, quando o prato foi empurrado com indiferença, disse a frase. Rude demais para caber em qualquer constituição. Verdadeira demais para ser esquec...
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    A Política na Polis A Pedra Que Ama e a Pedra Que Constrói Sobre a caridade que lapida o homem e a caridade que lapida o mundo Por Hiran de Melo Meus Irmãos, Toda mão que ajuda parece igual — até se ver o que ela carrega. Uma carrega um pano. A outra, um cinzel. A primeira nasce de um coração descrito, há muitos séculos, por um apóstolo que nunca falou em ferramentas nem em Templo, mas que sabia tudo sobre pedras humanas. Disse ele que a caridade é sofredora, é benigna. Que não se ensoberbece, não busca os seus interesses, não se alegra com a injustiça. Disse, sobretudo, que tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. É uma descrição do caráter da caridade. Do que ela é, por dentro, antes de tocar em qualquer coisa fora de si. A caridade que cobre Essa caridade primeira alivia a dor de hoje. Dá o pão, o cobertor, o auxílio necessário. E isso também é amor — paciente, humilde, que não se vangloria do bem que faz. É a caridade de quem serve sem esperar r...
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    A Política na Polis A Pedra Que Ainda Fala A Palavra entre a Liberdade e o Silêncio Por Hiran de Melo Existe uma palavra que ainda não foi dita e que, mesmo assim, já transformou quem a guarda. Falar é mais do que emitir som. É colocar uma parte de nós diante do mundo. Por isso a liberdade de expressão nunca foi apenas o direito de abrir a boca. Talvez seja o direito de escolher, antes, os próprios limites. Há duas liberdades. A primeira abre a boca. A segunda interroga a consciência antes de fazê-lo. É nesse intervalo — estreito, quase invisível — que começa todo trabalho maçônico. O Templo não é o lugar onde a palavra é pronunciada. É o lugar onde ela deveria ser trabalhada. Como a pedra bruta, a palavra chega irregular. Traz arestas. Carrega excessos. Às vezes fere. E só o trabalho paciente da consciência consegue retirar o que sobra sem destruir o que é essencial. O Justo e Perfeito é também uma pedagogia da palavra. O Justo diz respeito à r...
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    A Política na Polis A Pedra Que Se Cobre e a Pedra Que Se Lapida Sobre o lema ‘A Caridade Fortalece o Presente e Garante o Futuro’ Por Hiran de Melo Meus Irmãos, Existe uma caridade que estende a mão e cobre a pedra bruta com um belo pano, para que sua aspereza não apareça. E existe outra que pega o cinzel. A primeira alivia a dor de hoje. Dá o pão, o cobertor, o auxílio necessário. E isso também é amor. Mas existe uma pergunta que precisa vir depois: O que podemos fazer para que essa mão não precise pedir amanhã? É nesse ponto que a caridade deixa de ser apenas assistência e começa a se transformar em justiça social . Às vezes, ajudar é oferecer um alimento. Outras vezes, é ajudar alguém a conseguir um documento, aprender um ofício, voltar à escola, encontrar uma oportunidade ou simplesmente descobrir que ainda existe uma porta que pode ser aberta. O verdadeiro trabalho não é esconder a aspereza da pedra. É ajudá-la a encontrar sua forma. Talvez seja aí que o lema de n...
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  A Política na Polis O Cajado e a Bandeira Quando a vara que guia o rebanho se transforma em estandarte de partido Por Hiran de Melo Existe uma pergunta que quase ninguém faz ao pastor: Para onde você está me levando — e a favor de quem? Porque o cajado pode proteger a ovelha do lobo. Mas também pode empurrá-la. Quando serve ao cuidado , é instrumento de vocação . Quando começa a conduzir consciências para um projeto de poder, transforma-se em outra coisa . O problema não está na fé. Nem no pastor ter opinião política. O problema começa quando o púlpito se transforma em palanque e a ovelha já não sabe se está ouvindo uma palavra de consciência ou uma orientação de voto. A profecia não deveria indicar candidato. Ela deveria indicar justiça. Não deveria perguntar de que partido somos, mas que tipo de humanidade estamos construindo. Não deveria ensinar a ovelha a votar como o pastor, mas ajudá-la a descobrir, diante da própria consciência, como votar. A ...
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  A Política na Poli Cadê o fotógrafo na foto? Por Hiran de Melo A pergunta mais importante talvez seja: cadê o fotógrafo na foto? É preciso notar não só o que se combate, mas como se combate. Se você combate o ódio com ódio, se tornará igual ao que combate. Se você combate o terrorismo com terrorismo, se tornará um terrorista. Se você combate o fanatismo com fanatismo, se tornará um fanático. Se combate a mentira com mentira, se tornará um mentiroso. Pode até pensar que o errado é o outro, que o corrupto é o outro. Mas a corrupção já pode estar habitando a sua alma. Cuidado! Pode ser que já não haja mais tempo para o despertar. Neste caso, talvez o melhor mesmo seja continuar caminhando para o abismo e se iludir acreditando que quem caminha é o outro. ANEXO Conceito da Ilustração: "Cadê o fotógrafo na foto?": A figura central aponta a câmera em direção a um grande espelho, mas a imagem refletida revela o observador como parte integrante do p...