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  A Política na Polis O Cajado e a Bandeira Quando a vara que guia o rebanho se transforma em estandarte de partido Por Hiran de Melo Existe uma pergunta que quase ninguém faz ao pastor: Para onde você está me levando — e a favor de quem? Porque o cajado pode proteger a ovelha do lobo. Mas também pode empurrá-la. Quando serve ao cuidado , é instrumento de vocação . Quando começa a conduzir consciências para um projeto de poder, transforma-se em outra coisa . O problema não está na fé. Nem no pastor ter opinião política. O problema começa quando o púlpito se transforma em palanque e a ovelha já não sabe se está ouvindo uma palavra de consciência ou uma orientação de voto. A profecia não deveria indicar candidato. Ela deveria indicar justiça. Não deveria perguntar de que partido somos, mas que tipo de humanidade estamos construindo. Não deveria ensinar a ovelha a votar como o pastor, mas ajudá-la a descobrir, diante da própria consciência, como votar. A ...
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  A Política na Poli Cadê o fotógrafo na foto? Por Hiran de Melo A pergunta mais importante talvez seja: cadê o fotógrafo na foto? É preciso notar não só o que se combate, mas como se combate. Se você combate o ódio com ódio, se tornará igual ao que combate. Se você combate o terrorismo com terrorismo, se tornará um terrorista. Se você combate o fanatismo com fanatismo, se tornará um fanático. Se combate a mentira com mentira, se tornará um mentiroso. Pode até pensar que o errado é o outro, que o corrupto é o outro. Mas a corrupção já pode estar habitando a sua alma. Cuidado! Pode ser que já não haja mais tempo para o despertar. Neste caso, talvez o melhor mesmo seja continuar caminhando para o abismo e se iludir acreditando que quem caminha é o outro. ANEXO Conceito da Ilustração: "Cadê o fotógrafo na foto?": A figura central aponta a câmera em direção a um grande espelho, mas a imagem refletida revela o observador como parte integrante do p...
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  A Política na Pólis Nem Amiga, Nem Inimiga: A Justa Distância Sobre o respeito que aproxima, o respeito que afasta, e a diferença entre viver e existir Por Hiran de Melo “A vida é aquilo que nos acontece e nos é dado; a existência é aquilo que fazemos com o que nos acontece”. Existe uma lanterna que todo viajante carrega sem saber que carrega. Ela não ilumina propriamente a estrada. Ilumina as pessoas que a estrada coloca diante de nós — e, sobretudo, ilumina a distância que devemos guardar de cada uma delas. Há pessoas que se aproximam trazendo bondade. Há outras que chegam carregando suas próprias sombras e acabam espalhando sofrimento por onde passam. Diante de umas e de outras, precisamos aprender uma palavra difícil: discernimento . Porque respeitar não significa tratar todos da mesma maneira. Há um respeito que aproxima. E há um respeito que afasta. Ambos podem nascer da mesma consciência: a consciência de que o outro existe e de que nós também existimos. Mas talvez seja ne...
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A Política na Pólis Entre o Esquadro e o Poder Quando a Maçonaria se torna campo de disputas Por Hiran de Melo Existe uma Maçonaria que aprendemos a reconhecer pelos símbolos. Há o esquadro, o compasso, o malho, o cinzel, a pedra bruta, a luz. Há também as palavras que repetimos há séculos: liberdade, igualdade, fraternidade. E existe outra Maçonaria. Uma que não aparece nos símbolos, mas nas relações entre os homens. Uma Maçonaria feita de eleições, cargos, disputas, alianças, prestígio, reconhecimento, silêncios, aproximações e afastamentos. É nessa Maçonaria menos visível que os ideais encontram a realidade. E é justamente aí que começa a pergunta que talvez seja mais difícil de fazer: o que acontece quando uma organização criada em nome da fraternidade passa a ser também um lugar de disputa pelo poder? Não se trata de acusar a Maçonaria de ser aquilo que seus princípios condenam. Trata-se de reconhecer que nenhuma instituição humana está fora das contradiç...