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  A Política na Polis A DEMOCRACIA NÃO É UM FAVOR DO PODER A Constituição, a vontade popular e os limites de quem governa Por Hiran de Melo Há uma diferença fundamental entre conquistar o poder e ter o direito de fazer qualquer coisa com ele. A primeira possibilidade pertence à disputa democrática; a segunda é uma tentação que a democracia precisa aprender a conter. O voto confere legitimidade para governar, mas não concede a ninguém a propriedade do Estado. O governante eleito recebe uma responsabilidade temporária, submetida às leis, à fiscalização pública e aos limites constitucionais. Não se torna dono das instituições, não adquire autoridade sobre a consciência dos cidadãos e tampouco recebe uma procuração para modificar as regras sempre que elas deixam de favorecer seus interesses. É precisamente nesse entendimento que reside a grandeza do Estado Democrático de Direito: o poder nasce da vontade popular, mas seu exercício permanece submetido à Constituição . Essa é...
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  A Política na Polis A Inutilidade de Apagar uma Fogueira Assoprando as Cinzas Por Hiran de Melo Há pessoas que passam pela nossa vida como quem carrega uma caixa de fósforos. Não precisam de grandes razões para acender uma fogueira. Basta uma palavra atravessada, uma insinuação, uma injustiça, uma provocação cuidadosamente colocadas no lugar certo. Elas sabem, muitas vezes, que determinadas palavras ferem. E justamente por isso as pronunciam. O curioso é que, diante de uma provocação, quase sempre acreditamos que precisamos responder. É como se o outro colocasse fogo em uma pequena pilha de lenha e nós, indignados, corrêssemos para apagar as chamas assoprando as cinzas. Só que assoprar cinzas não apaga fogueira. Pode até acontecer o contrário. O sopro espalha as brasas. Uma palavra chama outra. Uma ofensa produz uma resposta. A resposta exige uma explicação. A explicação vem carregada de indignação. A indignação procura testemunhas. As testemunhas escolhem lados...
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  A Política na Polis Fora da Bolha e Rumo à Liberdade Por Hiran de Melo Há uma pergunta silenciosa por trás de boa parte do nosso comportamento nas redes sociais: em que momento deixamos de pensar segundo aquilo que compreendemos e passamos a pensar segundo aquilo que todos ao nosso redor parecem saber? Imagine alguém entrando em uma bolha ideológica na internet. No começo, encontra algumas pessoas que pensam como ele. Compartilha uma opinião. Recebe aplausos. Encontra dezenas de comentários confirmando aquilo que já acreditava. Compartilha novamente. Surgem centenas de curtidas. Então aparece alguém dizendo exatamente o contrário. A reação da bolha é imediata. Aquela pessoa é ridicularizada, desqualificada, atacada ou simplesmente expulsa do campo de visão. O indivíduo observa tudo aquilo e aprende rapidamente uma regra não escrita: aqui existem coisas que podem ser ditas e coisas que não podem. Ele começa, então, a selecionar aquilo que lê. Depois, aquilo...