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    Religião e Existencialismo O Rio Antes do Leito Da inquietação espiritual do ser humano ao nascimento das religiões: a água, as margens e a tentativa de aprisionar o sagrado. Por Hiran de Melo RESUMO (ABSTRACT) O ensaio percorre a trajetória da espiritualidade humana desde suas manifestações mais antigas até a constituição das religiões como sistemas organizados de crenças, ritos e instituições. Parte da hipótese de que a experiência espiritual antecede historicamente qualquer religião e nasce da inquietação humana diante da morte, da natureza, do mistério e dos limites da própria existência. Por meio da metáfora do rio, distingue a água que representa a experiência espiritual de seu leito, correspondente às estruturas religiosas que lhe conferem forma, continuidade e pertencimento. Reconhece a contribuição civilizatória das religiões, mas também examina os processos pelos quais instituições, ao reivindicarem o controle do sagrado, podem transformar instrumentos de...
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  A Política na Polis   O Ego Ferido e a Mecânica do Ódio Quando a incapacidade de aceitar a derrota transforma a divergência em inimigo Por Hiran de Melo Há derrotas que ensinam e derrotas que revelam. A diferença não está no resultado, mas na maneira como cada um se relaciona com aquilo que não conseguiu conquistar. Na democracia, perder faz parte do jogo. O voto do outro, mesmo quando contraria nossas convicções, não nos rouba o direito de pensar, nem diminui o valor de nossas ideias. Apenas nos lembra de uma verdade que o ego custa a aceitar: a nossa vontade não é a medida do mundo, e a nossa convicção não nos concede o direito de governar a consciência alheia. Quando o ego não suporta essa realidade, a derrota deixa de ser um acontecimento político e passa a ser sentida como uma humilhação pessoal. Já não basta discordar do vencedor. É preciso desqualificá-lo, desacreditar sua vitória e, se possível, fazer com que aqueles que o escolheram paguem pelo atrevimento...
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  A Política na Polis   Meu sentimento não é de alegria, é de alívio Por Hiran de Melo Tenho recebido algumas ligações e mensagens pelo WhatsApp. As pessoas me parabenizam e afirmam, com a certeza de quem conhece meus sentimentos, que estou muito feliz, muito alegre com a vitória de Lula. Não gosto de contrariar as pessoas, sobretudo quando percebo que estão felizes, que compartilham uma alegria sincera. Mas preciso dizer: não é esse o meu sentimento. Não é. O que sinto é alívio. Meu coração está aliviado. Não há espaço, neste momento, para grandes comemorações, para sorrisos largos ou gritos de vitória. Há apenas espaço para respirar. Respirar fundo, como quem acaba de atravessar um período de angústia e, finalmente, percebe que o pior cenário não se concretizou. Meu sentimento é de alívio. Não repetiremos o governo Bolsonaro. Não teremos novamente aquele ambiente de desprezo pelas instituições, de ataques à democracia e de banalização da violência política. Por p...
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  A Política na Polis Espelho da Identidade Manipulada Quando o desejo de pertencer nos leva a combater os próprios interesses Por Hiran de Melo Há contradições que não se explicam pela falta de inteligência, mas pela necessidade de encontrar um lugar no mundo. Como compreender alguém que, tendo pouco, defende os privilégios de quem tem muito? Que depende de direitos para viver com dignidade, mas combate aqueles que os defendem? Que sofre as consequências da desigualdade, mas se revolta contra o amparo oferecido a quem sofre como ele? Talvez estejamos procurando a resposta no lugar errado. O ser humano não vive apenas daquilo que possui. Vive também da imagem que constrói de si mesmo e do reconhecimento que espera encontrar no olhar dos outros. Às vezes, a necessidade de sentir-se importante torna-se maior do que a disposição de compreender a realidade. E, quando isso acontece, podemos chegar ao ponto de sacrificar nossos próprios interesses para preservar uma imagem na...