A Política na Polis Os Padrinhos da Rua e o Sangue da Terra Por Hiran de Melo Na memória das cidades, alguns nomes permanecem nos livros de história; outros sobrevivem no chão das ruas, nas calçadas e na lembrança daqueles que aprenderam a caminhar com dignidade. Falar do 2 de Julho sem recordar Seu Miro, o sapateiro da rua, seria contar a história da Bahia esquecendo aqueles que ajudaram a colocá-la de pé. Meu pai tinha a pele clara e os olhos da cor do céu pela manhã. Mas a sabedoria dos homens não se mede pela aparência. Quando chegou o momento de escolher quem me acompanharia como padrinho e madrinha no batismo da Igreja Católica Apostólica Romana, ele não procurou os casarões da ladeira nem os sobrenomes respeitados da cidade. Olhou para a simplicidade de uma bancada de trabalho, onde couro, graxa e suor se transformavam em sustento e dignidade. Escolheu Seu Miro e Dona Zefinha, mãe de Santa. Na pia batismal, nasceu mais do que um compromisso religioso. Firmou-se u...