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  A Política na Polis A ABOLIÇÃO QUE AINDA NÃO TERMINOU O escravismo estrutural e a pobreza como herança de uma sociedade desigual Por Hiran de Melo A escravidão brasileira não terminou inteiramente em 1888. Naquele ano, a lei libertou os corpos, mas não desfez a estrutura social que, durante séculos, aprendeu a transformar seres humanos em instrumentos de trabalho e a miséria em vantagem econômica. A senzala perdeu suas correntes. A casa-grande, porém, permaneceu de pé. Talvez seja esse o sentido mais profundo do escravismo estrutural: não precisamos mais possuir pessoas para continuar reproduzindo relações sociais que as mantêm dependentes, mal remuneradas e afastadas das oportunidades que poderiam mudar suas vidas. A antiga ordem sobrevive quando a desigualdade deixa de parecer uma injustiça e passa a ser tratada como parte natural da existência. A abolição não distribuiu terras, não reparou os danos de gerações de trabalho forçado, não garantiu moradia, educação ou ...
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  Religião e Existencialismo DO PARADIGMA GREGO AO PARADIGMA DE JESUS: ONDE MORA O VALOR DE UMA VIDA Entre o dom recebido e a responsabilidade de existir Por Hiran de Melo Existe uma antiga pergunta que atravessa os séculos: a quem entregar a flauta? A resposta atribuída ao pensamento grego parece evidente: ao melhor flautista. Afinal, para que confiar um instrumento a quem não sabe tocá-lo? Não seria mais sensato entregá-lo àquele que possui o talento necessário para produzir a melhor música? A lógica é sedutora. Mas há uma pergunta escondida atrás dela: quem decidiu que o melhor flautista merecia a flauta antes mesmo de começar a tocar? A questão vai além da escolha de um músico. Leva-nos a pensar sobre o valor de uma vida, as desigualdades humanas e os critérios que utilizamos para decidir quem merece oportunidades, reconhecimento e lugar no mundo. O mundo dos escolhidos Na tradição grega, particularmente em suas concepções aristocráticas, a excelência ocupava um...
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  A Política na Polis   O QUE A MAÇONARIA PODE FAZER PELO APRENDIZ? Entre a riqueza que se conquista e o homem que se transforma Por Hiran de Melo Um amigo e Mestre lançou uma provocação que merece mais do que uma resposta pronta: o que a Maçonaria pode fazer pelo Aprendiz? Como pode contribuir para que ele enriqueça? A primeira reação talvez seja recorrer ao princípio tradicional de que não devemos perguntar o que a Maçonaria pode fazer por nós, mas o que podemos fazer por ela. É uma resposta legítima. Mas será suficiente? Ou estaremos evitando uma questão que nos obriga a olhar para a realidade de quem chega ao nosso Templo? O Aprendiz não deixa sua vida do lado de fora quando atravessa a porta do Templo. Traz consigo sonhos, dificuldades financeiras, inquietações familiares e a esperança de encontrar algo que o ajude a viver melhor. Traz também suas contradições, suas ambições e o desejo de tornar-se alguém maior do que acredita ser. Por isso, não podemos enxerg...
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  A Política na Polis A MEDIDA QUE CONVÉM Quando a ideologia vira conveniência, o princípio deixa de medir a nós mesmos e passa a medir só os outros. Por Hiran de Melo Todo obreiro conhece a régua de vinte e quatro polegadas, símbolo da disciplina e do uso consciente do tempo. Ela nos ensina que o dia tem limites e que a qualidade da obra depende da maneira como distribuímos nossas horas. Mas há uma medida mais difícil de aprender: aquela que usamos para julgar a nós mesmos e aos outros. Somos, muitas vezes, indulgentes com nossas falhas e rigorosos com as alheias. O que em nós encontra justificativa, no outro se transforma em condenação. A régua permanece a mesma. O que muda é a consciência de quem a segura. E, quando alteramos a medida conforme a conveniência, já não estamos praticando a justiça, mas protegendo nossos próprios interesses sob a aparência da retidão. Na política, esse disfarce tem nomes bonitos: estratégia, pragmatismo, defesa dos interesses nacionais. ...
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   A Política na Polis A Régua que Muda de Tamanho Quando a convicção vira conveniência, o princípio deixa de medir a nós mesmos e passa a medir só os outros. Por Hiran de Melo Todo obreiro conhece a régua de vinte e quatro polegadas. Ela mede o trabalho. Divide o dia. Lembra que o tempo é curto e que a obra pede disciplina. Mas uma régua só serve se tiver o mesmo tamanho para todos. Se encurta quando mede a mim e se alonga quando mede o outro, deixa de ser instrumento. Vira disfarce. Esse disfarce é antigo e aparece em qualquer lado, em qualquer grupo, em qualquer um de nós. Tem nomes bonitos: estratégia, bom senso, defesa dos nossos interesses. Mas quando a medida muda sempre a favor de quem mede, merece outro nome. Conveniência. Vamos examiná-la como se examina uma pedra bruta: sem raiva, mas sem fingir que ela já é lisa. A pátria que só vale para alguns Imagine alguém que defende, com paixão, que nenhum país deve ser dobrado pela vontade de outro. Que a...