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      A Política na Polis A Lanterna e o Vigia Sobre a ordem que se ergue pelo medo e a ordem que se tece pelo vínculo Por Hiran de Melo Existe um instante em que a lanterna se acende num quarto que se julgava limpo. Os móveis estão onde sempre estiveram. As paredes, intactas. Mas agora se vê o que a penumbra guardava: a poeira nos cantos, o mofo escondido atrás da cômoda, os passos que se moviam sem que ninguém os ouvisse. É assim que chegam os escândalos. Figuras de relevo, no coração do Estado, flagradas no que fingiam não fazer. E a nação inteira, de lanterna na mão, pergunta: como foi possível? A explicação de sempre Costuma-se responder que foi preciso pactuar. O poder se reparte entre grupos que o disputam, cada grupo cobra seu preço, governar é ceder. E de tanto ceder, cede-se também a decência. Acordos. Alianças. Conveniências. Talvez a explicação seja verdadeira. Talvez seja apenas confortável. Porque dela nasce, quase de imediato, o desejo d...
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    A Política na Polis Uma Constelação em Cada Loja Fraternidade, Força e União: quando a Luz descobre que não brilha sozinha Por Hiran de Melo Houve um tempo, no fim do século passado, em que se dizia com ênfase, e com certo orgulho, que o Grande Oriente da Paraíba era uma constelação de estrelas. Quem levanta os olhos numa noite limpa não vê constelação alguma. Vê pontos. Pontos de idades diferentes, de cores diferentes, separados por distâncias que o olho não alcança. A constelação só existe para quem aprende a ligar os pontos. A estrela que se apagou Numa loja da Paraíba, essa verdade tomou forma de nome. Ela nasceu de irmãos do REAA e se chamou Fraternidade e Luz . Teve seu apogeu. Depois, teve sua queda. Toda estrela que brilha muito sabe, em algum momento, o que é a noite. Mas houve quem não aceitasse o escuro como sentença. Irmãos, também eles do REAA, ergueram a loja de novo. E, ao olhar para o que restava, perceberam algo que o apogeu nunca lhes ti...
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  A Política na Polis Não cagues no prato em que comeste Uma pequena fábula sobre gratidão e poder Hiran de Melo Certa manhã, o velho Barão de Monte Zepa caminhava com seu filho Milan pelas muralhas do castelo. Lá embaixo, os camponeses trabalhavam sob o sol: colhiam o trigo, cuidavam do gado, cortavam a lenha. Milan observava tudo com desprezo. — São lentos e ingratos — disse. — Se dependesse de mim, pagariam mais impostos e aprenderiam pelo castigo quem manda nestas terras. O barão nada respondeu. Conduziu o filho ao salão, onde a mesa estava farta de pão, queijo, carne e frutas. Serviu-lhe o melhor assado e esperou que comesse. Quando Milan terminou, empurrou o prato com indiferença. Então o velho segurou-lhe o braço: — Meu filho, nunca cagues no prato em que comeste . Milan franziu a testa. — Que ensinamento é esse? O barão apontou para a mesa. — O trigo deste pão foi plantado por aquelas mãos que desprezas. O gado que alimentou tua mesa foi cuidado ...
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    A Política na Polis O Castelo e a Mesa O que a fábula do velho barão ensina às instituições de direitos Por Hiran de Melo Do alto das muralhas, o trabalho dos outros parece pequeno. Os camponeses viram figuras lentas. A colheita, um detalhe da paisagem. O suor, uma cor distante no campo. Foi dali que Milan, filho do velho barão de Monte Zepa, olhou o mundo e o julgou: lentos, ingratos, merecedores de castigo. Existe algo que a altura faz com o olhar. Ela não engana pela mentira. Engana pela distância. E talvez toda relação de poder comece assim: não com um ato de crueldade, mas com um esquecimento. O esquecimento de quem plantou o que está sobre a mesa. O prato e a lição O barão não respondeu ao filho com um discurso. Fez algo mais sábio: levou-o ao salão, serviu-lhe o melhor assado e esperou que comesse. Só depois, quando o prato foi empurrado com indiferença, disse a frase. Rude demais para caber em qualquer constituição. Verdadeira demais para ser esquec...
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    A Política na Polis A Pedra Que Ama e a Pedra Que Constrói Sobre a caridade que lapida o homem e a caridade que lapida o mundo Por Hiran de Melo Meus Irmãos, Toda mão que ajuda parece igual — até se ver o que ela carrega. Uma carrega um pano. A outra, um cinzel. A primeira nasce de um coração descrito, há muitos séculos, por um apóstolo que nunca falou em ferramentas nem em Templo, mas que sabia tudo sobre pedras humanas. Disse ele que a caridade é sofredora, é benigna. Que não se ensoberbece, não busca os seus interesses, não se alegra com a injustiça. Disse, sobretudo, que tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. É uma descrição do caráter da caridade. Do que ela é, por dentro, antes de tocar em qualquer coisa fora de si. A caridade que cobre Essa caridade primeira alivia a dor de hoje. Dá o pão, o cobertor, o auxílio necessário. E isso também é amor — paciente, humilde, que não se vangloria do bem que faz. É a caridade de quem serve sem esperar r...
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    A Política na Polis A Pedra Que Ainda Fala A Palavra entre a Liberdade e o Silêncio Por Hiran de Melo Existe uma palavra que ainda não foi dita e que, mesmo assim, já transformou quem a guarda. Falar é mais do que emitir som. É colocar uma parte de nós diante do mundo. Por isso a liberdade de expressão nunca foi apenas o direito de abrir a boca. Talvez seja o direito de escolher, antes, os próprios limites. Há duas liberdades. A primeira abre a boca. A segunda interroga a consciência antes de fazê-lo. É nesse intervalo — estreito, quase invisível — que começa todo trabalho maçônico. O Templo não é o lugar onde a palavra é pronunciada. É o lugar onde ela deveria ser trabalhada. Como a pedra bruta, a palavra chega irregular. Traz arestas. Carrega excessos. Às vezes fere. E só o trabalho paciente da consciência consegue retirar o que sobra sem destruir o que é essencial. O Justo e Perfeito é também uma pedagogia da palavra. O Justo diz respeito à r...
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    A Política na Polis A Pedra Que Se Cobre e a Pedra Que Se Lapida Sobre o lema ‘A Caridade Fortalece o Presente e Garante o Futuro’ Por Hiran de Melo Meus Irmãos, Existe uma caridade que estende a mão e cobre a pedra bruta com um belo pano, para que sua aspereza não apareça. E existe outra que pega o cinzel. A primeira alivia a dor de hoje. Dá o pão, o cobertor, o auxílio necessário. E isso também é amor. Mas existe uma pergunta que precisa vir depois: O que podemos fazer para que essa mão não precise pedir amanhã? É nesse ponto que a caridade deixa de ser apenas assistência e começa a se transformar em justiça social . Às vezes, ajudar é oferecer um alimento. Outras vezes, é ajudar alguém a conseguir um documento, aprender um ofício, voltar à escola, encontrar uma oportunidade ou simplesmente descobrir que ainda existe uma porta que pode ser aberta. O verdadeiro trabalho não é esconder a aspereza da pedra. É ajudá-la a encontrar sua forma. Talvez seja aí que o lema de n...