O Frescobol e a Ética da Colaboração Quando o jogo deixa de ser apenas entre dois Por Hiran de Melo Há esportes que se vencem derrotando o adversário. Há outros em que a vitória consiste em superar a si mesmo. E há o frescobol, uma rara invenção humana cuja beleza repousa justamente no fato de não haver inimigos. Sempre admirei o frescobol. Não é um esporte contemplativo, daqueles que nos prendem a uma arquibancada. É um espetáculo em movimento. Caminhando pela praia, gosto de observar as duplas em perfeita sintonia, como se duas pessoas tentassem prolongar, por alguns instantes, o voo de uma pequena esfera sobre o mar. São apenas duas raquetes, uma bola e duas pessoas. Contudo, a simplicidade do jogo esconde uma profunda lição sobre a existência. O objetivo não é derrotar quem está à sua frente. Ao contrário: cada jogador precisa oferecer ao outro as melhores condições para que ele devolva a bola. O sucesso de um depende inteiramente da habilidade do outro. Talvez ...
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