Manifesto aos Mestres
Instalados do Grande Oriente da Paraíba
Pelo
fortalecimento das bases, pela valorização do ser humano e pela fidelidade aos
princípios maçônicos
A
história demonstra que nenhuma instituição permanece viva apenas pela força de
suas tradições. Os rituais preservam a memória, mas é a capacidade de renovar o
sentido de sua existência que assegura a continuidade de uma Obediência. Quando
uma instituição perde de vista sua finalidade, corre o risco de transformar
seus símbolos em mera repetição e sua liturgia em simples formalidade.
A
Maçonaria nasceu para aperfeiçoar o ser humano e, por meio dele, contribuir
para o aperfeiçoamento da sociedade. Toda reflexão sobre o futuro do Grande
Oriente da Paraíba deve partir dessa verdade essencial.
I
– A universalidade dos princípios e a inclusão do ser humano
Liberdade,
Igualdade e Fraternidade não são palavras ornamentais inscritas em nossos
templos. São compromissos éticos que devem orientar todas as nossas decisões.
Se
afirmamos que a Maçonaria busca reunir homens e mulheres de bons costumes,
comprometidos com a virtude e o progresso da humanidade, não podemos permitir
que distinções relacionadas ao sexo ou à orientação afetiva se transformem em
barreiras para aqueles que, de forma livre e consciente, desejam compartilhar
dos mesmos ideais.
A
verdadeira fraternidade não seleciona pessoas segundo características pessoais;
ela reconhece a dignidade humana como fundamento da convivência.
A
virtude não possui gênero. O mérito não depende da orientação afetiva. O
caráter não se mede por circunstâncias pessoais, mas pela retidão das ações.
Uma
instituição que proclama a igualdade deve, antes de tudo, exercê-la.
II
– O verdadeiro aperfeiçoamento do obreiro
Nossa
liturgia é um instrumento precioso, mas jamais deve ser confundida com a
finalidade da Ordem.
Palavras
ritualísticas, sinais, toques, marchas e cerimônias possuem valor porque
conduzem à transformação interior. Quando deixam de produzir esse efeito,
tornam-se apenas formas preservadas pelo hábito.
Cada
sessão deve representar um encontro capaz de fortalecer o espírito de quem
participa.
Ao
deixar o templo, o obreiro deve sentir-se mais consciente de sua missão, mais
fortalecido em seus valores e mais preparado para enfrentar os desafios da vida
cotidiana.
A
Oficina cumpre sua vocação quando desperta inteligência, fortalece a
consciência moral, amplia a fraternidade e inspira seus membros a viverem de
maneira mais íntegra.
Não
basta formar conhecedores dos rituais.
É
necessário formar homens e mulheres melhores.
Somente
um obreiro transformado é capaz de transformar sua família, sua profissão, sua
comunidade e a sociedade.
III
– O fortalecimento das bases e a racionalidade administrativa
Toda
potência sólida nasce de Oficinas igualmente sólidas.
Fortalecer
o Grande Oriente da Paraíba significa fortalecer cada Loja que o compõe.
Esse
fortalecimento, porém, não depende de edifícios monumentais nem de estruturas
que alimentem a vaidade institucional. A tradição maçônica sempre valorizou a
simplicidade, a sobriedade e o uso responsável dos recursos.
Precisamos
de espaços dignos, funcionais e acolhedores, capazes de servir à liturgia, ao
estudo e à convivência fraterna.
Nesse
sentido, torna-se necessário promover uma gestão patrimonial orientada pela
racionalidade e pelo compromisso com o bem comum.
Sempre
que possível, Oficinas situadas no mesmo Oriente ou Vale devem compartilhar uma
sede comum, concentrando esforços, reduzindo custos e fortalecendo a
convivência entre seus obreiros.
Manter
diversos imóveis utilizados apenas algumas horas por semana representa um
modelo que merece ser revisto à luz da boa administração.
Da
mesma forma, a alienação de patrimônios subutilizados ou a reorganização de
imóveis locados pode permitir que os recursos sejam direcionados para aquilo
que verdadeiramente importa: fortalecer as bases da instituição.
Uma
sede compartilhada não representa perda de identidade.
Ao
contrário, favorece a integração entre as Oficinas, estimula atividades
conjuntas, amplia o intercâmbio de conhecimentos e mantém os templos vivos
durante toda a semana.
Centros
de estudos, projetos culturais, ações filantrópicas e o acolhimento de
organizações paramaçônicas, como a Ordem DeMolay e as Filhas de Jó, conferem
sentido permanente aos espaços físicos e ampliam o alcance social da Maçonaria.
Patrimônio
que permanece fechado durante a maior parte do tempo deixa de cumprir
plenamente sua finalidade.
Patrimônio
compartilhado transforma-se em instrumento permanente de formação e serviço.
Conclusão
A
grandeza de uma Potência não se mede pela quantidade de seus imóveis, pela
imponência de seus edifícios ou pela solenidade de seus rituais.
Sua
verdadeira força reside na qualidade humana de seus obreiros.
Quando
promovemos uma fraternidade verdadeiramente inclusiva, investimos na formação
integral daqueles que compõem nossas Oficinas e administramos nossos recursos
com responsabilidade e visão de futuro, reafirmamos o compromisso que deu
origem à própria Maçonaria.
O
Grande Oriente da Paraíba possui uma história construída por gerações de homens
e mulheres que compreenderam que servir à Ordem é servir à humanidade.
Que
sejamos igualmente dignos desse legado.
Que
tenhamos a coragem de preservar aquilo que é permanente e a sabedoria para
transformar aquilo que o tempo já demonstrou necessitar de renovação.
Porque
fortalecer as bases não significa apenas reorganizar estruturas.
Significa
renovar a missão.
E
uma instituição que renova sua missão permanece capaz de iluminar o futuro.
Hiran de Melo
Mestre Instalado – CIM 404
Obreiro da Augusta Respeitável e Grande Benfeitora Loja Simbólica
Fraternidade, Força e União
Grande Oriente da Paraíba – COMAB

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