Peça de Arquitetura Maçônica O Esquecimento, o Desvelamento e o Retorno ao Essencial Por Hiran de Melo Abertura Irmãos, reunidos sob a Luz do Grande Arquiteto do Universo, somos convidados a refletir sobre como a vida moderna, com suas facilidades e instrumentos, pode nos afastar do que é originário. Cada inovação que chega às nossas mãos traz conforto, mas também o risco do esquecimento. O esquecimento, porém, não é apenas perda: é também convite ao desvelamento , à redescoberta daquilo que permanece oculto sob o véu da pressa e da técnica. 1. O Esquecimento como Pedra Bruta Assim como a pedra bruta precisa ser lapidada, também nossa consciência precisa ser trabalhada. O excesso de técnica e de pressa nos faz esquecer o sabor da terra molhada, a sombra da árvore, o valor simples do alimento tradicional. Esse esquecimento é o pó que encobre a pedra. Cabe a nós, maçons, retirar esse véu e permitir o desvelamento do essencial — aquilo que sempre esteve presente, mas qu...
Postagens
- Gerar link
- X
- Outros aplicativos
Diálogo sobre Justiça Estrutural Por Hiran de Melo Cenário: Dois mestres maçons, Seu João e Seu José, encontram-se após uma sessão de Loja. Sentados à sombra do templo, iniciam uma conversa sobre o papel da maçonaria diante das injustiças que assolam a sociedade. Seu João: Meu amado irmão Seu José, hoje, ao ouvir o chamado à justiça estrutural, senti que estamos diante de um abismo. O caos que vemos nas ruas não é só desordem — é construção antiga, feita de pedra e privilégio. Seu José: Concordo, amado irmão Seu João. Muitos pensam que a crise é passageira, mas ela é parte da estrutura. A desigualdade não nasceu ontem. Ela foi moldada como um templo invertido, onde poucos estão no topo e muitos sustentam a base sem luz. Seu João: E o que dizer da riqueza? A iniquidade é gritante. Enquanto alguns acumulam mais do que podem usar, outros não têm sequer o básico. Isso não é só injusto — é desumano. Seu José: A maçonaria nos ensina a construir templos à virtude. M...
- Gerar link
- X
- Outros aplicativos
O Sagrado Feminino – A Natividade no Cotidiano Líquido Por Hiran de Melo Amado Irmão, Amada Irmã, em um tempo de conexões instantâneas e vínculos frágeis, o 25 de dezembro continua sendo um marco simbólico. Para muitas culturas, é o nascimento da luz, do sol, da vida. Para os cristãos, é a celebração do Deus Amor que se fez humano, vulnerável, próximo. Hoje, em uma sociedade líquida, onde tudo parece transitório e efêmero, o amor também se tornou palavra desgastada. Ele aparece em slogans publicitários, em músicas de consumo rápido, em relacionamentos que se dissolvem com a mesma velocidade com que se iniciam. Fala-se de amor em contextos contraditórios: “matou por amor”, “suicidou-se por amor”, “vive do amor de alguém”. O amor é usado como justificativa para violência, dependência e exploração. Mas o amor verdadeiro – aquele que Cristo encarnou – não é consumo, não é posse, não é espetáculo. É acolhida da inteireza do outro e de si mesmo. Amar hoje significa resistir à l...
- Gerar link
- X
- Outros aplicativos
O Convite - Assuma a Caneta da Sua História Por Hiran de Melo Muitas vezes, entramos na Escola ou em novos ciclos de vida acreditando que existe um trilho já posto, um "destino" que precisamos descobrir para sermos felizes. Mas a verdade contida nas reflexões de Thalita Farias (*) é muito mais libertadora: não há trilho, há apenas o caminhar. A Transformação pelo Estudo e pela Escolha Estudar não é apenas acumular dados; é o exercício de "rasgar o véu". Quando você se dedica ao conhecimento e à observação de si mesmo, você percebe que o contexto ao seu redor não é uma sentença, mas um terreno de possibilidades. A transformação real começa quando você aceita a soberania do acaso : se nada está escrito nas estrelas, você é livre para mudar de rota, de opinião e de identidade sempre que a circunstância exigir. A Iluminação do "Não" A verdadeira iluminação raramente vem de um "sim" imediato a tudo. Ela nasce da coragem de olhar para o ...
- Gerar link
- X
- Outros aplicativos
Isso não me pertence mais Por Thalita Farias Hernesto do Rêgo, 22/12/2025. Isso existiu porque o contexto permitiu não porque era destino. A circunstância mudou, e com ela, o sentido se encerra. Não levo isso comigo adiante. O que não cabe no meu amanhã não precisa ocupar o meu agora. Eu honro o que foi cogitado. Mas não o alimento. Não o revisito. Ele cumpriu seu papel: me mostrou o que eu NÃO quero mais. Eu retiro de você o lugar de prioridade, o lugar de consideração, o lugar de intimidade. Você passa a ocupar o lugar que suas ações construíram, não o que minhas virtudes sustentaram. Minha inteireza não é desperdício. Mas ela não é distribuída sem reciprocidade. Breves considerações Por Hiran de Melo 1. O Fim do Destino e a Soberania do Acaso O poema começa com uma "rasgada de véu" fundamental: " Isso existiu porque o contexto permitiu / não porque era destino. ...
- Gerar link
- X
- Outros aplicativos
Vamos caminhar? Por Josivan Campos Brasil – Cavaleiro Noaquita Não é apenas um convite. É um chamado silencioso, feito por aquele que já percorreu o caminho e conhece seus sinais. Nenhum homem atravessa a senda iniciática sozinho, ainda que acredite caminhar em linha reta. Sustentado pela confiança do Aprendiz — a fé que antecede o saber — inicia-se a grande marcha do Ocidente ao Oriente. O passo é dado sem pressa, pois o tempo da jornada não obedece ao relógio dos homens. Há retas que testam a perseverança e curvas que ensinam a prudência. Pedras surgem para fortalecer os pés; perigos, para despertar a atenção. Cada estação oferece sua prova. O frio ensina a resistência, o calor revela os limites, a tempestade purifica. O medo, quando atravessado, transforma-se em compreensão. E quando a lição é acolhida, a brisa se manifesta como sinal de que o caminho foi honrado. Ao final de um longo trecho, o Aprendiz volta-se ao Mestre e pergunta: — Chegamos ao lugar prometido? ...
- Gerar link
- X
- Outros aplicativos
Sendo agora ou seria depois? Poeta Hiran de Melo O andarilho depois de muito caminhar Contempla o céu estrelado e sorrir às vistas Não um sorriso de vitória, de conquistas Apenas o olhar desperto, fixou para repousar Há o andarilho que viaja sem destino A meta é o caminhar que comporta Cada passo, o meio, é o que importa O barulho do lugar é música, é um hino Há o andarilho que mantem o olhar no horizonte Sem desvios, o caminho estar para ser superado O que o move é a meta. o destino almejado A música do caminho é abismo, não é uma fonte O que eu sou, ou o que serei, é dito na escolha, no furo De como irei furar, avançar, se olhar fixo na meta Ou se disperso, fazendo curvas, desprezando a reta Se encontro o contentamento aqui e agora ou no futuro Um Convite para Caminhar: O que eu quis te dizer com "Sendo agora ou seria depois?" Ao escrever este poema, eu não queria apenas contar a históri...