Porém você não liga
Por Thalita
Vejo seu olhar tão vazio
Em meio a um turbilhão
Rios e rios de lágrimas
Que percorrem em meu rosto
Porém você não liga
Olhos que transbordam
Em um imenso mar
Que eu quero entrar
Que eu quero nadar
Que eu quero mergulhar
E me afogar.
A minha alma te abraça,
Pelo simples fato de eu te olhar.
Ela percorre qualquer distância
Para te encontrar.
Às vezes uma lágrima pesa mais que uma âncora
E me segura nesse mar de solidão
Sinto-me só e a me afogar
Procuro o meu farol
Ele brilha para mim
Mesmo em meio a tempestade
Ele é a luz da minha escuridão
O meu corpo é uma prisão,
E tenta não deixar.
Mas a minha alma é livre...
Livre, para te amar.
Análise do poema “Porém
você não liga”
Por Hiran de Melo
O
poema de Thalita revela um mergulho profundo nas tensões entre desejo, dor e
liberdade interior. A leitura à luz da psicanálise permite perceber como
sentimentos reprimidos e conflitos internos se manifestam em imagens poéticas
intensas.
1. O olhar vazio e a indiferença
ü O
“olhar tão vazio” do outro representa a ausência de resposta ao desejo de quem
fala.
ü Essa
falta de retorno desperta angústia e reforça a sensação de abandono.
ü O
sujeito poético projeta no outro a expectativa de acolhimento, mas encontra
silêncio, o que intensifica o sofrimento.
2. As lágrimas e o mar
ü As
lágrimas que se transformam em “rios” e depois em “mar” simbolizam a expansão
do sofrimento.
ü O
desejo de “mergulhar e se afogar” nesse mar mostra uma atração pela dor, como
se o sofrimento fosse também uma forma de ligação com o objeto amado.
ü Aqui
aparece a ambivalência: o desejo de união se mistura com a pulsão de
destruição.
3. A alma que abraça e percorre
distâncias
ü A
alma é apresentada como livre, capaz de atravessar barreiras para alcançar o
outro.
ü Essa
liberdade contrasta com o corpo, descrito como prisão.
ü O
conflito entre corpo e alma reflete a luta entre limites da realidade e a força
dos desejos inconscientes.
4. Âncora e solidão
ü A
metáfora da lágrima que pesa mais que uma âncora mostra como a dor pode
paralisar.
ü O
sujeito poético sente-se preso em um “mar de solidão”, onde o peso emocional
impede o movimento.
ü Essa
imagem sugere que o sofrimento não é apenas passageiro, mas algo que fixa e
aprisiona.
5. Farol e tempestade
ü O
farol simboliza a esperança, uma luz que guia mesmo em meio ao caos.
ü Ele
representa a busca por sentido e direção, uma tentativa de não se perder
totalmente na escuridão interior.
ü O
farol é também a figura do amado, que mesmo distante continua sendo referência.
6. Corpo como prisão, alma como liberdade
ü O
corpo é visto como limite, como aquilo que impede a realização plena do desejo.
ü A
alma, ao contrário, é apresentada como livre para amar sem restrições.
ü Essa
oposição mostra a tensão entre realidade concreta e mundo interno, onde o
desejo pode se realizar sem barreiras.
Por fim
O
poema expressa o conflito entre desejo e frustração, vida e morte, prisão e
liberdade. O eu lírico oscila entre o impulso de se entregar ao sofrimento e a
busca por uma saída simbólica através da alma e da luz do farol.
Essa
oscilação revela como sentimentos reprimidos e não correspondidos podem se
transformar em imagens de dor, mas também em símbolos de esperança. O texto
mostra que, mesmo diante da indiferença do outro, a alma insiste em amar —
revelando a força dos desejos que não se deixam apagar.
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