Epístola do Mestre Lucas Adonhiramita ao
Mestre Melquisedec
Meu
amado irmão,
Bem
sabes que contar uma história é muito mais fácil quando falamos pessoalmente,
pois a palavra viva carrega consigo não apenas o conteúdo, mas também o calor
da presença e a vibração da alma. Talvez por isso eu me entusiasme tanto quando
encontro outro contador de histórias disposto não apenas a narrar suas
vivências, mas também a ouvir as minhas.
Recordo-me
de teu gesto poético ao criar aquilo que chamaste — e eu ainda não sei bem como
definir — talvez um lema, talvez um chamado: “abertura ao diálogo”. E
como gostei dessa expressão! Pois ela traduz exatamente o espírito que nos
move: não discutimos para vencer, não falamos para impor, mas para
compartilhar. O diálogo, em sua essência, é ponte e não muro.
Em
nossas conversas, os temas surgem naturalmente, sem pauta prévia, sem
necessidade de delimitar fronteiras. E mesmo quando nossas opiniões divergem,
não há combate, mas aprendizado. Não defendemos teses como quem ergue
bandeiras; antes, nos colocamos como aprendizes diante da vida, que é, afinal,
uma escola breve e intensa.
Confesso
que, em muitas ocasiões, aprendo muito mais do que ensino. E não me sinto
diminuído por isso, pois reconhecer o valor do outro é também um ato de
grandeza. Quando alguém merece aplausos, não hesito em oferecê-los, porque sei
que o mérito compartilhado engrandece a todos.
A
vida, meu irmão, é um período curto de aprendizado. Ninguém pode abarcar todo o
conhecimento, e sempre haverá quem tenha acesso a certas verdades antes de nós.
Mas isso não nos torna menores; ao contrário, nos lembra que o caminho é
coletivo, que a sabedoria se constrói em comunidade, e que cada encontro é uma
oportunidade de expansão.
Assim,
celebro contigo este espírito de abertura, esta disposição de ouvir e de falar,
de ensinar e de aprender. Que nossas histórias continuem a se entrelaçar, como
fios de uma tapeçaria maior, onde cada cor e cada forma contribuem para a
beleza do todo.
Com
fraterna estima,
Mestre Lucas Adonhiramita
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