Diálogo entre Mestres - O Arquiteto da Sabedoria
Por Hiran de Melo
A Ponte do Conhecimento
Local: Um átrio
silencioso, após uma sessão de Estudos do Grau 12, dois mestres maçons, Foucault
e Pike, dialogam sobre o Testemunho de Um recém iniciado.
Foucault:
Boa noite, Mestre Pike. Esse Grau 12, o Grande Mestre Arquiteto, é fascinante.
O Testemunho do Iniciado o descreve como uma ponte entre a sabedoria ancestral
e a razão humana. O que o faz ser tão crucial em nossa jornada?
Pike:
Boa noite, Mestre Foucault. Você toca num ponto vital. Até o Grau 11, o foco
principal estava na moralidade, na justiça e na Lei, certo? Agora, no 12, há
uma transição. O maçom não é mais apenas um guardião da Lei; ele é chamado a
ser um Criador Consciente, um Artesão da Sabedoria. É o momento em que a moral
se une ao conhecimento prático e filosófico.
Foucault:
Entendo. É como se a ética (que aprendemos nos graus anteriores) agora
precisasse de uma ferramenta para ser aplicada no mundo. Essa ferramenta, o Testemunho
sugere, é a Matemática — a Aritmética e a Geometria. Mas, para o maçom moderno,
que usa o computador para fazer cálculos, qual é o verdadeiro valor da
Geometria e Aritmética neste Grau?
Pike:
A importância não está no cálculo em si, mas no Símbolo. Como eu sempre
ressaltei, as ferramentas do arquiteto ganham novos sentidos.
- A Aritmética revela a Harmonia da
Criação e a ordem do universo.
- A Geometria é a base da Precisão e
da Beleza do Divino.
Elas são a linguagem do
Grande Arquiteto. Ao estudar esses fundamentos, o maçom desenvolve a mente
racional, a disciplina interior e o senso de proporção. Ele aprende a construir
a si mesmo com a mesma exatidão com que se constrói um Templo sólido. Não é
sobre decorar fórmulas, mas sobre viver a Proporção e o Equilíbrio.
Salomão, o Símbolo Complexo
Foucault:
Essa ligação com a construção do Templo de Salomão também é rica. O Iniciado
menciona que Salomão não é só o rei sábio, mas um símbolo de dilemas entre fé,
política e ética. Parece que o Grau 12 nos convida a uma análise mais profunda
e menos idealizada da História.
Pike: Sem dúvida. O Templo de Salomão é o símbolo
do Universo e o espelho da Alma. Mas o maçom deve ver além da glória. Salomão
nos inspira pela Diplomacia, pela Valorização da Cultura e por ter privilegiado
o Mérito e o Conhecimento como ferramentas de liberdade, rompendo com modelos
rígidos. O Grau exige que o maçom reflita sobre as tensões — alianças e
conflitos — sem julgar, mas buscando compreender.
Foucault:
Exato! O conhecimento, nesse sentido, não é um saber fechado, mas um instrumento
de liberdade. Quando o Grau exalta a Arquitetura como origem das ciências —
Civil, Naval, Militar — ele está nos dizendo que todo conhecimento é uma forma
de construir. E essa construção não é apenas de templos de pedra. É a
construção de uma sociedade mais justa.
Pike: Correto. É o que chamo de deveres do
Grande Mestre Arquiteto:
1. Buscar
o conhecimento verdadeiro com humildade e senso crítico.
2. Unir
razão e espiritualidade.
3. Agir
com Ordem e Responsabilidade como quem constrói valores.
O maçom, ao edificar
seu Templo interior (o Templo de Virtudes), torna-se um cidadão consciente que
aplica a Proporção e a Justiça no mundo exterior, agindo pelo Bem Comum.
O Templo Interior
Foucault:
No final, a grande lição parece ser que o verdadeiro templo não é de pedra. É
um templo moral edificado por dentro. O Iniciado diz: "Só quem silencia o
ruído do mundo consegue ouvir a sabedoria que vem de dentro." Essa é a sensibilidade
espiritual que o Grau exige, não é?
Pike: É o ápice da transição. No Grau 12, o
Templo se torna a Alma Humana. A jornada é silenciosa e pessoal. A contemplação
e o estudo são os novos instrumentos. Dominar a mente como um arquiteto domina
seus projetos.
Foucault:
Ou seja, Mestre Pike, o Grande Mestre Arquiteto é aquele que internalizou os
princípios da arquitetura — Ordem, Proporção, Beleza — e os aplica para a sua
própria transformação e, consequentemente, para a transformação do mundo. É o
conhecimento a serviço da virtude.
Pike: Exatamente. A Maçonaria molda pessoas,
desperta consciências. O Grande Mestre Arquiteto é aquele que, transformado por
dentro, se torna um instrumento do Bem. Ele constrói não apenas para resistir
ao tempo, mas para servir de exemplo.
Foucault:
Uma bela e profunda síntese, Mestre Pike. O Grau 12 é, de fato, o convite para
sermos artesãos de ideias e ideais.
O Compasso e o Esquadro no Grau 12: A União de Razão e
Espírito
Pike: No Grau 12, o Compasso e o Esquadro,
que já conhecemos bem, ganham um significado mais profundo e filosófico,
ligando-se diretamente à nossa missão de construir. Eles representam a união
fundamental que o Grande Mestre Arquiteto deve dominar:
1. O
Esquadro (A Matéria e a Moralidade):
Ø Sua
função é garantir a Retidão e a Perfeição do Ângulo (90°).
Ø Ele
simboliza a Matéria, o mundo físico, e a Moralidade que rege nossas ações na
Terra.
Ø Usar
o Esquadro é agir com Justiça, Equilíbrio e Ordem em todas as interações e
construções.
Ø No
Grau 12, ele nos lembra que nossa base, nosso caráter, deve ser sólido e
irrepreensível.
2. O
Compasso (O Espírito e o Limite):
Ø Sua
capacidade de traçar Círculos e medir distâncias a partir de um centro.
Ø Ele
simboliza o Espírito, o Intelecto e o Conhecimento (a razão e a sabedoria).
Ø O
Compasso nos ensina a Limitar nossas paixões e desejos (o círculo é o limite) e
a buscar o conhecimento em um raio de alcance que nos aproxime do Divino (o
centro).
A Aplicação na Consciência
Foucault:
É uma excelente base, Mestre Pike. Eu acrescento que, neste grau de Arquiteto,
a interação entre eles é crucial para a nossa consciência e nossa liberdade.
O Compasso, como
símbolo do conhecimento e da razão, precisa do Esquadro para não se perder na
abstração.
- Raciocínio Isolado (Só Compasso): A
razão sem base moral (o Esquadro) pode levar à frieza e à especulação
vazia. É o conhecimento sem ética, que pode ser perigoso.
- Ação Cega (Só Esquadro): A
moralidade sem o intelecto (o Compasso) é apenas regra, sem a visão
espiritual e a capacidade de adaptação. É a fé sem base, que o texto do
Iniciado critica.
A Verdade do Grau 12 é a Síntese
O Grande Mestre
Arquiteto é aquele que pensa com clareza (o Compasso, a sabedoria) e age com
equilíbrio (o Esquadro, a retidão moral).
Ele usa o intelecto
para medir as proporções (justiça, beleza) de seu próprio Templo Interior,
garantindo que o conhecimento sirva sempre à virtude e ao bem comum.

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