Diálogo entre Mestres Maçons Foucault, Deleuze e Bourdieu sobre o Grau 7 – Preboste e Juiz

Por Hiran de Melo

Em uma Loja simbólica, três Mestres — com nomes simbólicos: Foucault, Deleuze e Bourdieu — conversam diante dos símbolos da balança, da espada e do livro da lei. O tema é a Justiça, ensinada no Grau 7 do Rito Escocês Antigo e Aceito.

Foucault

“Irmãos, o Grau 7 nos coloca diante de nós mesmos. O Preboste e Juiz não é um juiz de tribunal, mas um juiz interior. O poder aqui não é punir os outros, mas vigiar e corrigir a si mesmo. É o que chamo de ‘tecnologia de si’: práticas que usamos para moldar nosso comportamento. O verdadeiro poder é julgar-se com firmeza e compaixão. Em vez de castigo, reflexão. Em vez de medo, consciência.”

Deleuze

“Concordo, mas acrescento: julgar não é o fim, é um processo. O Juiz não fecha caminhos, abre possibilidades. A balança não é estática, é movimento. A espada não serve para punir, mas para cortar o que nos prende e abrir espaço para o novo. O Livro da Lei não é código fechado, mas fonte viva de sentidos. O Grau 7 nos chama à transformação contínua. Julgar é criar novos modos de ser, é tornar-se artista de si mesmo.”

Bourdieu

“E eu digo: todo julgamento nasce de nossa história e do que aprendemos na sociedade. Chamamos isso de habitus — nossos costumes e disposições. O Grau 7 nos convida a romper com julgamentos automáticos e cultivar um novo hábito moral. Dentro da Loja, o Juiz não busca status, mas virtude. Seu valor não vem de poder externo, mas da confiança que inspira. Esse é o capital simbólico: prestígio conquistado pela integridade.”

Foucault

“Então, o poder do Juiz é responsabilidade. Ele não domina, serve. A Justiça é ato de liberdade, porque nos liberta dos vícios e nos chama à consciência.”

Deleuze

“E nesse servir, o Juiz se torna criador de harmonia. Ele não uniformiza, mas respeita a diversidade. Sua ética é afirmar a vida e inspirar transformação. Ele não é fiscal, mas companheiro de caminhada.”

Bourdieu

“Sim, e precisamos lembrar: todo julgamento é socialmente construído. Mas o Grau 7 nos ensina que podemos reconstruí-lo com base na Virtude, na Fraternidade e na Luz. O Juiz não julga para punir, mas para ensinar. Sua sentença mais justa é o exemplo que dá com a própria vida.”

 

Reflexão Final

Os três Mestres concluem juntos:

O Preboste e Juiz é espelho, processo e campo. É disciplina interior, criação contínua e virtude coletiva. Julgar a si mesmo é libertar-se, transformar-se e servir. Que cada Irmão seja juiz de si, e nunca carrasco de seu semelhante.”

 

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