O Legado Silencioso - Para aqueles que vêm depois

Por Neemias Ximenes - Mestre Maçom – Grau 4

A primeira verdade que nos veste é a da nossa própria transitoriedade. Nos sentimos, com uma certeza quase tangível, como matéria em decomposição, poeira em trânsito, breve pela vastidão do tempo. A eternidade não reside em nossa carne, mas naquilo que esta carne, enquanto pulsa, é capaz de moldar. A vida do indivíduo é um suspiro, porém, a obra, pode ser um monumento.

 O legado que se torna a linguagem universal, transmitida entre gerações. Não seremos eternos, mas a qualidade do alicerce que assentamos será. E é aqui que se impõe o nosso mais sublime juramento: a responsabilidade com aqueles que vêm depois.

 Então por que a hesitação? O empenho e a força que dedicamos a cada traço, a cada decisão, não são para a vaidade do instante, mas para a solidez do futuro. O esforço máximo não é um luxo, é uma exigência moral, pois a negligência de hoje será o fardo pesado de amanhã.

 A beleza na arquitetura da nossa obra não é mero ornamento. Ela é a assinatura do respeito ao tempo e aos olhos que a verão quando os nossos já tiverem se fechado. A sabedoria, por sua vez, é a bússola que dirige a força para que não se torne ruína. É a luz que garante que a construção seja justa, funcional e duradoura.

 Nossa maçonaria, seja ela literal ou a construção invisível de um caráter, só se perpetua pela excelência. Com o olhar fixo no horizonte, garantindo que a estrada seja transitável, que a luz seja firme e que a casa seja segura para aqueles que vêm depois.

 A verdadeira imortalidade é renunciar à própria glória em prol da continuidade da luz. Em vida, somos apenas obreiros, nossa única esperança de eternidade é a qualidade da herança que deixamos. Que a nossa passagem não seja lembrada por quem fomos, mas pelo quão bem servimos aos que estão por chegar.

 Para aqueles que vêm depois…..


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