A Maçonaria e a Servidão Voluntária
Sob a inspiração do nosso amado mestre, Luiz Carlos
Silva, Grande Delegado Litúrgico da 1ª INSPETORIA LITÚRGICA DA PARAÍBA, e com o
olhar atento às ideias de Étienne de La Boétie, adentraremos o complexo tema da
servidão voluntária. O pensador francês do século XVI nos legou a provocadora
reflexão de que a opressão não se sustenta apenas pela força, mas também pela
aceitação daqueles que são oprimidos.
A servidão voluntária é uma prisão auto imposta, que aprisiona a liberdade individual e coletiva. Essa submissão, um câncer que se alastra pela sociedade, perpetua e aprofunda as desigualdades, criando um abismo entre os privilegiados e os marginalizados. A polarização política, fruto dessa servidão, é um incêndio que consome o tecido social, dividindo a sociedade em facções irreconciliáveis.
A conscientização, farol que ilumina as trevas da opressão, é o primeiro passo para a libertação. Ao armar a população com conhecimento, a educação e a informação libertam as mentes, tornando-as imunes à manipulação. A ação coletiva, um coro de vozes unidas, desafia o poder estabelecido, abrindo caminho para um futuro mais justo e equânime.
La Boétie inverte a lógica tradicional do poder, argumentando que o governante não é uma força isolada, mas sim um produto da vontade popular. A tirania, portanto, é um reflexo da própria sociedade que a tolera. Para os irmãos maçons que juram combater a tirania, esta é uma questão espinhosa.
La Boétie não idealiza a natureza humana, reconhecendo a presença de vícios e fraquezas. No entanto, ele acredita no potencial humano para a liberdade e a justiça. Sim, precisamos nos reconhecer em nossa humanidade, com todas as nossas qualidades e imperfeições. O objetivo de justiça e perfeição é um ideal, uma busca constante, e não um estado alcançado de uma vez por todas. A Maçonaria, nesse sentido, representa um caminho para essa busca.
Em resumo, a servidão voluntária é motivada por diversos fatores. O medo da violência, da perda de bens ou da punição, aliado à falta de conhecimento sobre as causas da opressão, impede que as pessoas se rebelam. A opressão, quando se torna habitual, é naturalizada e aceita como algo normal. A promessa de benefícios materiais, como proteção ou privilégios, incentiva a colaboração com o opressor. Por fim, a falsa sensação de segurança proporcionada pelo poder estabelecido inibe a oposição.
A
Relevância para os Dias Atuais
A Maçonaria, em seus primórdios, foi um movimento
revolucionário que defendia a liberdade e a igualdade. No entanto, ao longo de
sua história, a Instituição se deparou com o desafio de conciliar seus ideais
com as realidades do poder e da sociedade. A servidão voluntária, como descrita
por La Boétie, pode ser um espelho para a Maçonaria contemporânea, que em
alguns momentos parece ter se acomodado com o status quo, apoiando políticas
que contradizem seus próprios princípios. A questão que se coloca é: como a
Maçonaria pode resgatar seu compromisso original com a liberdade e a
justiça, evitando cair nas armadilhas da servidão voluntária e do
conformismo?
A maçonaria é uma experiência coletiva. É fundamental
que os maçons trabalhem juntos para criar um ambiente propício ao
desenvolvimento pessoal e à transformação social.
Exortação
A maçonaria nos convida a construir, não apenas
templos físicos, mas também templos interiores e uma sociedade mais justa. Que
cada um de nós se dedique a fortalecer os laços de fraternidade e a trabalhar
em conjunto para a evolução pessoal e coletiva.
A força da maçonaria reside na união dos seus
membros. Ao trabalharmos juntos, podemos superar desafios, inspirar outros e
construir um mundo mais humano. Que cada um de nós se comprometa a ser um agente
de transformação positiva.
A loja maçônica é um espaço privilegiado para o
desenvolvimento pessoal e a troca de experiências. Que cada um de nós contribua
para criar um ambiente de respeito, confiança e aprendizado mútuo, onde
possamos crescer juntos e fortalecer os laços de amizade.
Poeta, Hiran de Melo, obreiro CIM 404, da
ARLS Fraternidade, Força e União, filiada de número 8 ao GOPB. Campina Grande,
18 de novembro de 2024.

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