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   A Política na Pólis No Vazio de uma Visão de Futuro para o País Quando a fogueira do conflito ilumina a praça, mas apaga o caminho Por Hiran de Melo “A multidão em silhueta ao redor da fogueira alta e a estrutura da casa — só o esqueleto e as linhas do projeto, ainda incompleta. O calor de um lado, o traço frio e inacabado do outro”. Existe uma praça onde um povo se reúne para construir uma casa. Alguém traz tijolos. Alguém traz madeira. Alguém traz cal. Mas ninguém, até agora, trouxe a planta. E então, em vez de desenhar juntos os cômodos onde essa gente pretende viver, os que ali estão se dividem em times. Discutem quem tem o direito de segurar o martelo. Gritam sobre quem ameaça derrubar o que ainda nem foi erguido. Acendem fogueiras — bonitas, ruidosas, que atraem multidão — e chamam isso de construção. A fogueira ilumina a praça. Mas nenhuma fogueira, por maior que seja, desenha uma planta. O conflito como anestesia Talvez o conflito permanente não seja...
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  A Política na Pólis O Templo Não Tem Sexo Sobre arquitetos, alicerces e o direito de cada um lavrar a própria pedra Por Hiran de Melo Efésios 5 21 Sujeitando-vos uns aos outros no temor de Deus. ²² Vós, mulheres, sujeitai-vos a vossos maridos, como ao Senhor;   Existe uma imagem que se repete em toda casa, em todo discurso, em toda tradição que insiste em explicar o humano por metáforas de construção: de um lado, o arquiteto — que sonha, que desenha, que sobe. Do outro, o alicerce — que sustenta, que não se move, que fica embaixo para que os outros possam subir. E alguém, cedo ou tarde, vai perguntar: qual dos dois é mais importante? A pergunta já nasce errada. Porque um templo que só tem alicerce nunca abriga ninguém — e um templo que só tem arquiteto nunca fica de pé. A submissão que vira sustentação Há quem leia Paulo e escute ali uma hierarquia disfarçada de elogio: você é a base, ele é quem constrói. Parece generoso. Talvez até seja, na intenção ...
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  A Política na Pólis A Tolerância e o Autoconhecimento no Contexto Maçônico Por Hiran de Melo Na reflexão filosófica e na tradição maçônica, a expressão “seja tolerante” transcende a mera cortesia social ou o simples suporte passivo ao outro. Ela se conecta de forma direta e profunda à superação da ignorância e ao constante exercício do autoconhecimento. A tolerância, sob essa ótica, não é a aceitação cega ou a conivência com o erro, mas o resultado natural do desenvolvimento intelectual, moral e espiritual do indivíduo. 1. A Ignorância como Antítese da Tolerância Etimologicamente e filosoficamente, o ignorante é aquele que desconhece, que não possui a chave do conhecimento ou que se recusa a buscá-lo. Quando se ignora algo — seja uma ideia, uma cultura, uma perspectiva ou a própria natureza humana —, a reação instintiva e imatura costuma ser o medo, a rejeição ou a intolerância. Aquele que busca o conhecimento ativamente deixa de lado a postura de ignorar o mundo à sua ...
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 A Política na Pólis A Pedra que se Recusa a Ser Lapidada Sobre tolerância, ignorância e o longo caminho até o outro Por Hiran de Melo Existe uma pedra que resiste ao cinzel. Não porque seja mais dura que as outras — todas as pedras brutas resistem, no início —, mas porque ainda não sabe que existe algo dentro dela esperando para ser revelado. Enquanto não sabe, defende-se. Ataca o que a toca. Chama de inimigo o instrumento que só queria libertá-la da própria bruteza. Talvez seja essa a imagem mais honesta da intolerância: não um vício moral isolado, mas o gesto instintivo de uma pedra que ainda não se conheceu. A Ignorância como Antítese da Tolerância Etimologicamente, o ignorante não é apenas quem erra. É quem se recusa a olhar. Diante do que desconhece — uma ideia, uma cultura, um rosto diferente do seu —, a reação mais antiga do homem não é a curiosidade. É o medo. Fecha-se. Julga primeiro, para não precisar entender depois. Mas há outro caminho. Quem busca o ...
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A Política na Pólis Fraternidade, Universalidade e a Superação dos Paradigmas Anacrônicos Quando a porta ainda tem gume, ninguém atravessa inteiro Por Hiran de Melo Há ideias que envelhecem sem perceber que envelheceram. Continuam sendo repetidas com a solenidade dos antigos juramentos, protegidas pelo respeito às tradições, como se o tempo, por si só, fosse capaz de lhes garantir legitimidade. Entretanto, a história ensina outra coisa: nem tudo o que atravessa os séculos permanece digno de atravessar consciências . Acreditamos — ou talvez apenas desejemos acreditar — que uma instituição edificada sobre os pilares da Liberdade, da Igualdade e da Fraternidade já teria aprendido a reconhecer a dignidade humana antes de qualquer diferença acidental. Mas nem toda porta aberta conduz à liberdade. Existem portas que recebem o visitante com gestos de acolhimento enquanto, silenciosamente, continuam exigindo que ele deixe parte de si do lado de fora. São portas que não negam e...
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  A Política na Pólis A Morada de Deus na Terra Da tenda que anda ao templo que se ergue, e do templo que se ergue à consciência que se constrói Por Hiran de Melo Existe uma pergunta que o deserto faz a quem o atravessa: onde mora aquele que não se pode ver? Não há resposta de pedra para essa pergunta. Há, primeiro, uma resposta de pano. A tenda que anda Depois do Sinai, depois dos mandamentos gravados em tábuas que nenhuma mão humana havia talhado, Moisés recebeu uma ordem estranha: erguer uma casa. Mas não uma casa fixa — uma casa que pudesse ser desmontada ao amanhecer e remontada ao entardecer, uma casa com estacas em vez de fundação, cortinas em vez de paredes. Chamaram-na de tenda da congregação. Era ouro por dentro e pele de animal por fora. Era o lugar onde o povo, ainda sem território, sem cidade, sem nome fixo entre as nações, podia dizer: aqui, esta noite, Deus acampa conosco. Talvez seja preciso repetir: Deus acampava. Não morava. Acampava. Um Deus que ...
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A Fábula da Perseguição   Resposta a Francisco Carneiro Júnior Por Hiran de Melo Existe uma armadilha retórica tão antiga quanto a política: quando um homem perde no tribunal, muitas vezes ganha um mito. E o mito, ao contrário do fato, não precisa de prova. Precisa apenas de adjetivos. O Sr. Francisco Carneiro Júnior escreveu um artigo cheio deles. Regime. Aniquilar. Perseguição. Delírio tecnocrático. Palavras fortes, ditas com convicção — mas nenhuma delas substitui o que falta ao texto: um único fato concreto que sustente a tese de que existe, no Brasil, uma "elite" organizada para destruir Jair Bolsonaro. O que houve, e o que não houve O que houve foi isto: o Sr. Jair Bolsonaro foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República por fatos apurados em investigação. Respondeu a um processo. Teve advogados. Teve prazos. Teve recursos. Foi julgado por um tribunal previsto na Constituição, com ministros nomeados segundo regras conhecidas há décadas. Foi condenado. ...