A Política na Pólis

A Loja como Templo, não como Praça

Por Hiran de Melo

Existe um lugar onde as vozes se calam para que a Voz apareça. Talvez seja este o segredo mais simples — e mais esquecido — do que somos: nem toda reunião é praça, e nem todo silêncio é ausência.

A praça é o lugar da disputa. Ali, cada um defende sua bandeira, e vencer é convencer o outro a se calar. O templo é outra coisa. Ali, ninguém precisa vencer, porque ninguém veio para discutir — veio para construir.

Talvez confundamos as duas coisas com mais frequência do que gostaríamos de admitir. Trazemos a praça para dentro do templo, achando que defendemos uma verdade, quando apenas emprestamos ao Ir ao lado o barulho que já cansa lá fora.

Não se trata de calar a consciência de ninguém. Consciência livre não é a que grita mais alto — é a que sabe, sozinha, o que pensa, sem precisar que a Loja inteira pense igual. O silêncio pedido aqui não é mordaça. É espaço. É o vão entre as colunas onde cabe cada Irmão, inteiro, sem que sua opinião vire pedra de tropeço para o irmão vizinho.

Fora, o mundo se divide em lados. Dentro, a única divisa que importa é a que separa o vício da virtude — e essa, nenhuma eleição decide.

Que este espaço continue sendo o que sempre foi: não uma praça a mais, mas o único lugar onde ainda é possível discordar em silêncio e, mesmo assim, seguir de mãos dadas.

Paz e Amor

Hiran de Melo – TVPM

Nota: as colunas guardam a entrada, mas não são elas o centro — o centro é o vão entre elas, o espaço que permanece aberto para que a luz desça sem obstrução. É a mesma imagem do texto: o templo não é o lugar onde se ergue mais uma barreira, mas o lugar onde ainda existe um vão silencioso, preservado, por onde algo maior pode entrar.


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