Sou o que sou

Por Hiran de Melo

Sou bela, sou singular
Sou chama que não se apaga
Sou raiz que fura o concreto
Sou silêncio que grita no escuro

Resisto à dor que me atravessa
Resisto ao olhar desaprovador
Resisto ao desejo que escapa
Resisto ao que tenho em abundância
Resisto também ao que me falta

Sou terna, sou só
Sou cheia de ausências
Sou vazia de presenças
Sou acolhida que resiste ao amor

Resisto ao chamado que não é meu
Resisto ao entardecer que se vai
Resisto ao amanhecer que não aconteceu
Resisto ao excesso que me sufoca
Resisto também ao nada que me acompanha

Sou o que permanece
Sou o que se desfaz
Sou o que nasce no silêncio
Sou o que morre no olhar

Resisto ao que é eterno
Resisto ao que é efêmero
Resisto ao que nunca fui
Resisto também ao que se perdeu.

Nota: Poema escrito a pedido da ciclista Edjane, menina-moça que, com coragem e delicadeza, resiste bravamente às adversidades que não escolheu, mas que lhe foram impostas. Sua força silenciosa e sua beleza singular transformam cada pedalada em símbolo de resistência e esperança.

 

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